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Capital natural: um desafio de todos

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Crédito: Manuel Marçal

Coordenar a inteligência humana, os esforços e a natureza para que as atividades empresariais continuem sendo lucrativas, mas, também, sustentáveis, ainda, é um desafio. Num mundo de recursos finitos, esgotá-los é a pior estratégia empresarial.

Falar a respeito do impacto causado, em última análise, pelo ser humano no meio ambiente é abrir um vigoroso debate sobre a riqueza e a sua circulação. Existem limites para o crescimento? Pode-se dizer que sustentabilidade e crescimento se encontram em lados opostos na jornada evolutiva humana?

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Os protagonistas na busca de uma resposta satisfatória às perguntas feitas precisam compreender e assumir os papéis que lhes cabem: Estado, empresa e sociedade. Se parecem óbvias as respectivas participações de cada um, os desafios podem não ser evidentes. Se o Estado, em face de sua ideologia, cede à antiga tese da maximização indiscriminada do lucro, como objetivo mor da empresa, conquistas sociais e ambientais retrocederão inevitavelmente e as perspectivas serão tão sombrias quanto. Do Estado se espera, fundamentalmente, a regulação, o monitoramento e o enfrentamento mais adequados na preservação do meio ambiente e das relações sociais; da sociedade espera-se um consumo consciente, atenta ao greenwashing (apenas aparência. Inexistência de ações sustentáveis concretas), muitas vezes praticado pelas empresas, e às estratégias que sacrificam as pessoas e os recursos naturais. Dando ênfase neste artigopara o empresariado, felizmente, algumas pesquisas demonstram um interessante comprometimento:

A revista canadense “Corporate Knights” compila e analisa, há mais de 15 anos, a sustentabilidade das empresas mundiais. No ano de 2019, foram mais de 7,5 mil empresas com receita anual superior a US$ 1 bilhão. As variáveis são: […] energia; emissões de carbonos; consumo de água; resíduos sólidos; capacidade de inovação; pagamentos de impostos; a relação entre o salário médio do trabalhador e o do CEO; planos de previdência corporativos; segurança do trabalho; percentual de mulheres na gestão; e o chamado bônus por desempenho” (identifica, igualmente, se a remuneração dos executivos se encontra, de alguma forma, atrelada ao desempenho de sustentabilidade empresarial) (BARBOSA, 2016, p. 10). A denominada “pegada ecológica” da empresa consiste na adoção ou não das práticas acima descritas.

De acordo com a Forbes, a partir de 2018, o Global 100 passou a usar como indicador de desempenho a denominada “receita limpa”, que consiste na medição da porcentagem de receita que uma empresa gera por meio de produtos sustentáveis. Mas, somente em 2019, esse critério passou a ter peso no ranking, representando 50% da pontuação das empresas. Ainda de acordo com a Forbes, com os cálculos da “Corporate Knights”, a satisfação dos acionistas é maior com empresas que priorizam a sustentabilidade.Desde a sua criação em 1º de fevereiro de 2005 até 31 de dezembro de 2020, o índice Global 100 gerou um retorno total de 263% contra o aumento de 220% de seu benchmark, o MSCI ACWI (All Country World Index).Para o ano civil de 2020, o Global 100 subiu 26% em comparação com um aumento de 16% para o MSCI ACWI (https://www.corporateknights.com/reports/2021-global-100/2021-global-100-progress-report-16115328/ ).

Ainda, de acordo com o referido relatório: 1) os membros do Global 100 ganham 41% de suas receitas de produtos ou serviços alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, de acordo com a Corporate Knights Clean Taxonomy, em comparação com apenas 8% para as empresas MSCI ACWI em uma base ponderada; e 2) as empresas Global 100 também têm maior diversidade de gênero do que seus pares, com quase um terço dos diretores do conselho (32%) sendo não-homens contra 24% das empresas MSCI ACWI.

Ou seja, as perguntas acima encontram-se respondidas. Elas trazem em si uma armadilha: aspectos sociais e ambientais não podem mais ser vistos como limitadores do crescimento econômico. A inobservância desses dois elementos poderá gerar uma falsa percepção de vantagem a curto prazo, mas, o custo é o comprometimento da existência do próprio negócio a médio e longo prazos. Portanto, o crescimento concreto e perene só poderá ser percebido se, também, for sustentável.

Esse tipo de visão, acima demonstrada, pode e deve ser replicada para a pequena, micro e média empresas. Cada uma em sua alçada, inevitavelmente, experimentará o valor agregado, a satisfação dos colaboradores e, também, dos consumidores. Serão admiradas pelo compromisso socioambiental assumido e executado, na medida em que darão retorno para a própria sociedade na qual estão inseridas. Se existe um custo para a implementação da governança, inclusive sob o ângulo ambiental, está cada vez mais nítido que as vantagens o superam.

O tema é polêmico e interessa pela sua contemporaneidade. Se não é novo, a sua manipulação, ainda, traz insegurança na área contábil e empresarial. Surpreendemo-nos, muitas vezes, ao lembrar que nem todos os recursos são renováveis, mas, ainda assim, exploramos estes além da sua capacidade regenerativa. A percepção do que é (ou não) renovável passa por duas variáveis dessa complexa equação: espaço e tempo. A novidade não está em, apenas, interagir com o meio ambiente, mas fazê-lo, compreendendo-o como um capital natural, com funções ambientais, que deve ser gerido assim como o capital financeiro o é. Caracteriza-lo como tangível, mensurável, finito, obriga o empresário a contabilizá-lo, amortizando-o se necessário.

O que o planeta precisa é de uma urgente meta de “descarbonização”. Apesar da resistência de alguns, investimentos estão sendo feitos: a União Europeia comprometeu aproximadamente 550 bilhões de Euros para projetos verdes, nos próximos anos, equivalente a um terço do seu pacote de recuperação; os EUA, por sua vez, comprometeram-se, por meio do Presidente Joe Biden, com um investimento de 2 trilhões de dólares no combate às mudanças climáticas. China, Japão e Coréia do Sul estão se movimentando para se tornarem economias também sustentáveis. Do cidadão, espera-se adesão a este pensamento, para que seja seletivo na escolha da empresa que tenha um compromisso com o ecossistema, que apresente a sua “pegada ecológica” de forma consistente e que seja proativa no enfrentamento do problema, buscando soluções para simplificação de sua produção e redução do impacto da sua atividade na natureza. Não se trata mais de uma opção e já ultrapassamos o tempo limítrofe da virada comportamental. Ou a reversão é feita agora, ou as próximas gerações não terão o que reverter.

Ref.: BARBOSA, Vanessa. O que fazem as 30 empresas mais sustentáveis do mundo. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/conheca-30-empresasmodelo-em-sustentabilidade-no-mundo>. Acesso em: 5 de set. de 2015.

*Secretário da Comissão de Apoio Jurídico às Micro e Pequenas Empresas da OAB/MG
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