Crédito: REUTERS/Adriano Machado

São Paulo – O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem a aquisição de participação controladora na produtora de açúcar e etanol Atvos pela LSF10, empresa do fundo norte-americano Lone Star. Segundo documento do Cade, a aprovação foi feita sem restrições.

A fatia adquirida pela LSF10, de 50% mais uma ação, pertencia à Natixis, uma subsidiária do grupo bancário francês BPCE que a mantinha em função de uma operação envolvendo o Grupo Odebrecht e a Gasoduto Sur Peruano.

Parte da Odebrecht, a Atvos – grande produtora de etanol do Brasil – está em recuperação judicial. A empresa, que registrou prejuízo líquido de R$ 1,49 bilhão na safra 2019/20, teve o plano de recuperação aprovado no dia 20 de maio.

“Com base na área de atuação da LSF10 e da empresa-alvo (Atvos) observa-se que operação sob análise não resultará em nenhuma sobreposição horizontal ou integração vertical no Brasil… Esta operação se trata de substituição de agente econômico no setor sucroalcooleiro, sem acarretar preocupações concorrenciais”, disse o Cade na decisão.

O documento publicado pela autarquia indica ainda, ao descrever a operação, que a Lone Star é credora da Atvos por meio do fundo de investimentos Terra Nova Bio Energia, acrescentando que a companhia norte-americana discutiu propostas com os demais credores para tornar a Atvos solvente e entende que suas ideias são “a opção mais adequada para garantir a viabilidade e o futuro sucesso da Atvos”. Procurada, a Atvos disse que não comentaria o assunto.

JBS e Bunge – O órgão brasileiro de defesa da concorrência decidiu aprofundar análises sobre a aquisição pelo grupo JBS de ativos de maioneses e margarinas da norte-americana Bunge no País, uma operação anunciada em dezembro do ano passado.

A transação foi declarada “complexa” pelo Cade, que pediu esclarecimentos às empresas e solicitou a realização de estudos econômicos sobre a operação, segundo despacho no “Diário Oficial da União (DOU)” de ontem.

No alvo do órgão estatal estão preocupações principalmente com o mercado de margarinas, uma vez que há entendimento de que a aquisição, que seria realizada pela JBS por meio da Seara, eleva a concentração de mercado no setor.

O índice de concentração no mercado de margarinas poderia passar de entre 70% e 80% atualmente para entre 80% e 90% com o negócio, apontou parecer do Cade.

“Cabe avaliar, portanto, em que medida essa ampliação de portfólio pode incrementar o poder de mercado da Seara no mercado de margarinas, bem como em mercados de produtos correlatos”, afirmou.

As empresas terão que apresentar esclarecimentos “sobre a possível elevação da probabilidade de exercício de poder coordenado” e sobre as condições de entrada nos mercados de margarina, “com ênfase nos aspectos logísticos e necessidade de investimentos em propaganda e marketing”, segundo requerimentos do Cade. O prazo para análise sobre a operação de aquisição, no entanto, não foi prorrogado.

O Grupo JBS anunciou em meados de dezembro acordo para comprar ativos de margarina e maionese da Bunge Alimentos no Brasil por R$ 700 milhões, em operação que envolve três unidades fabris em São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco. O acordo inclui marcas como Delícia, Primor e Gradina. (Reuters)