Operação Rejeito: grupo investigado por mineração ilegal em Minas tentou monitorar juiz e autoridades, diz PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a segunda fase da operação Rejeito/Contrassabotagem, após constatar que o grupo criminoso suspeito de extração ilegal de minério de ferro em áreas protegidas de Minas Gerais, como a Serra do Curral, tentava espionar autoridades públicas, inclusive um juiz, e atrapalhar as investigações.
Como um desdobramento da operação Rejeito, que teve como alvo mais de 60 pessoas físicas e jurídicas, entre empresários, operadores financeiros e servidores públicos, e gerou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens e valores, a operação Rejeito/Contrassabotagem visa combater a violação de sigilos bancário e telefônico e o embaraço às investigações.
A ação, realizada com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu dois mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, foi determinada a suspensão das atividades das empresas envolvidas.
Segundo a Polícia Federal, nesta nova fase, as investigações indicaram que a organização criminosa teria contratado uma empresa para supostamente praticar atos de espionagem contra pessoas de interesse do grupo, incluindo autoridades públicas e particulares. Também foram identificadas atividades sistemáticas de monitoramento de indivíduos, por meio de vigilância presencial, uso de dispositivos de rastreamento e registros fotográficos, além da obtenção indevida de dados pessoais e sensíveis.
A PF também constatou que, entre as informações ilicitamente acessadas, os suspeitos obtiveram dados de um juiz federal que cuidava do processo envolvendo uma das empresas investigadas. Com essas informações em mãos, o grupo teria tentado se aproximar de um familiar do magistrado que atua na advocacia, além de buscar aproximação com outras autoridades públicas para validar fraudes.
Também foi apurado que o grupo investigado teria tentado contratar a realização de operações policiais simuladas (blitz) e feito ofertas estruturadas, inclusive com precificação definida, para a obtenção indevida de dados protegidos por sigilos bancário e telefônico. As investigações apontam, ainda, indícios de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos de segurança pública.
Já em sua primeira fase, a operação Rejeito/Contrassabotagem teve como objetivo desarticular a organização criminosa suspeita de atuar para neutralizar a ação estatal, atrapalhando e tentando obstruir as investigações da operação Rejeito.
Os investigados poderão responder por embaraço à investigação de organização criminosa e violação dos sigilos bancário e telefônico, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 16 anos de reclusão.
Relembre a operação Rejeito

Deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025, a operação Rejeito desmantelou um esquema bilionário de exploração mineral ilegal, corrupção e lavagem de dinheiro em Minas Gerais. Considerada um desdobramento da operação Poeira Vermelha, de 2020, a investigação apontou que uma organização criminosa formada por empresários, operadores financeiros e agentes públicos movimentou mais de R$ 1,5 bilhão em atividades ilícitas, enquanto os danos ambientais e patrimoniais foram estimados em mais de R$ 18 bilhões.
A operação teve como alvo mais de 60 pessoas físicas e jurídicas, resultando em 22 mandados de prisão preventiva, bloqueio superior a R$ 1 bilhão em bens e valores, suspensão das atividades de 23 empresas e afastamento de servidores de órgãos como a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava por meio de uma estrutura organizada em diferentes núcleos. Empresários coordenavam a exploração ilegal e a ocultação dos lucros, enquanto operadores financeiros movimentavam recursos por meio de empresas de fachada e do pagamento de propina. Servidores públicos e articuladores políticos teriam facilitado a obtenção de licenças ambientais e minerárias e protegido os envolvidos de fiscalizações e sanções. Já o núcleo operacional era responsável pela extração mineral e pelo monitoramento das ações de controle em campo.
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