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Dia Internacional da Mulher livre

A condição da mulher no Oriente Médio: o que tem isso a ver conosco?

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Crédito: Freepik

Tania Azevedo Garcia*

No mês marcado pela luta de mulheres para a conquista de direitos, uma reflexão importante que, ao primeiro olhar, parece distante de nós.

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Na década de 70, os filmes sobre o universo árabe apresentavam retrato romântico da sociedade, criando uma imagem idealizada do contexto oriental, bem diferente do que o cinema e a literatura especializada têm nos mostrado nas décadas mais recentes. O mundo árabe está mais próximo de nós do que imaginamos.

Crenças que temos em relação ao Oriente Médio estão marcadas pelo viés ocidental, o que pode nos levar a incorrer em erro. Nós, ocidentais, podemos aprender com aquele povo sobre o sentido de coletividade, o respeito aos mais velhos e segurança de suas comunidades e precisamos respeitar suas diversas culturas, ressaltando que o Oriente Médio não é uma construção geopolítica homogênea.

Contudo, dos diversos conflitos históricos ali ocorridos é possível identificar como consequências comuns o fundamentalismo religioso, o atraso educacional e científico e, especialmente, maior desigualdade de gênero.

Tanto da Bíblia, da Torá, quanto do Alcorão, muitas são as inserções que demarcam a condição da mulher. De frágil, delicada e vulnerável, ela se transforma em um ser ardil, malicioso e astuto.

Como se constata em Gênesis 3: 9 – 13: “Então disse Adão: a mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: por que fizeste isto? E disse a mulher: a serpente me enganou, e eu comi”. Do Corão: “Quanto àquelas, dentre vossas mulheres, que tenham incorrido em adultério, apelai para quatro testemunhas, dentre os vossos e, se estas o confirmarem, confinai-as em suas casas, até que lhes chegue a morte ou que Allah lhes trace um novo destino” (SURA IV: 15).

Da literatura e filmes, muitos foram os relatos de condenações físicas, como o apedrejamento, e restrições como trabalho e formação escolar permitidos, vestimenta autorizada, restrições para dirigir ou viajar. Jean P. Sasson, autora de Princesa, dá a dimensão do sofrimento psicológico, que vivenciam as mulheres: “Eu nasci livre, embora agora me encontre acorrentada. Ainda que invisíveis, as correntes me foram colocadas sem eu sentir, e passaram despercebidas até que a idade da razão reduziu minha vida a estreito segmento do medo”.

O mais cruel é que muitas mulheres defendem os preceitos que as mantêm aprisionadas, já que essa foi a linguagem que aprenderam. Elas acreditam que a submissão é fruto da frágil natureza feminina, quando, em verdade, trata-se de um preceito cultural.

Filmes como Cairo 678 ou O julgamento de Viviane Amsalem retratam que a luta pela liberdade da mulher, nas culturas árabe e judaica, tem sido uma empreitada árdua. Por vezes, consideradas seres inferiores, elas têm se submetido às regras e ao rigor de leis machistas e patriarcais, fundamentadas pela religiosidade de seus países.

Guardadas as devidas proporções e condições culturais, as mulheres ocidentais vivem circunstâncias similares, contudo numa aparente liberdade. Nas cidades brasileiras, mulheres são submetidas ou limitadas em seus comportamentos por discursos como “isso não é coisa de menina”; ganham menos que homens em funções similares; são criticadas quando se apresentam como feministas; também são molestadas nos ônibus e no metrô; são vítimas de violência doméstica e de feminicídio, com índices alarmantes.

Cumpre, portanto, ressaltar que a situação de submissão, discriminação e violência não é exclusividade das mulheres no Oriente Médio.

Enfim, por que o universo feminino importa a todas as mulheres, sejam ocidentais ou orientais? Como afirma Geraldine Brooks, jornalista e escritora, porque “esta moça sou eu. Ela é qualquer uma de nós. Aqui, todas lutamos por nossas vidas”.

*Professora do Centro Universitário Newton Paiva, psicóloga clínica, especialista em Gestalt-terapia e análise existencial

 

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