Minas Gerais busca ampliar adesão de municípios aos ODS
Com 853 municípios e cerca de 15% de todas as cidades brasileiras, Minas Gerais tem potencial para ser a maior vitrine do País na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O caminho passa por convencer prefeitos de que os ODS não são uma agenda distante, mas uma ferramenta prática de planejamento, acesso a recursos e atração de investimentos.
Nessa direção, uma iniciativa construída pelo Movimento Nacional ODS Minas Gerais (MNODS-MG), em parceria com o Movimento Minas 2032, promoveu uma importante aproximação entre a Comissão Nacional para os ODS (CNODS), vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, e os municípios mineiros. O resultado se materializou em uma audiência pública na Assembleia Legislativa e no fortalecimento do programa Meu Município pelos ODS, que apoia prefeituras na construção de cidades mais sustentáveis, inclusivas e preparadas para os desafios do futuro.
Para aprofundar esse debate, o Diário do Comércio conversou com Lavito Person Motta Bacarissa, secretário-executivo da CNODS. Nesta entrevista, ele apresenta os avanços da iniciativa, os desafios para ampliar a adesão das cidades mineiras e as oportunidades que a Agenda 2030 oferece para fortalecer o desenvolvimento econômico, social e ambiental dos territórios.
O que é a iniciativa Meu Município pelos ODS?
É uma iniciativa da CNODS criada para apoiar prefeituras na construção de cidades mais sustentáveis, inclusivas e preparadas para os desafios do presente e do futuro. Por meio de adesão voluntária e gratuita, prefeitos passam a integrar uma rede nacional com acesso a capacitações, ferramentas de gestão, indicadores, metodologias, boas práticas e informações sobre financiamento. Na prática, a iniciativa ajuda os gestores a planejar melhor, fortalecer políticas públicas e alinhar prioridades locais a temas como mudanças climáticas, redução de desigualdades e qualidade de vida.
Quais são os resultados nacionais e onde Minas Gerais está nesse cenário?
O programa já conta com mais de 350 municípios participantes em todas as regiões do Brasil, e o número cresce a cada dia. Minas Gerais tem 52 municípios aderentes e ocupa posição de destaque entre os estados. O potencial, porém, é muito maior: com 853 municípios, o maior número do País, representando cerca de 15% do total nacional, o Estado reúne todas as condições para se tornar a principal referência na territorialização dos ODS.
Muitos gestores ainda veem os ODS como uma agenda distante da realidade local. Como mudar essa percepção?
Esse é um dos maiores mitos sobre a Agenda 2030. Quando um município investe em saúde, educação, saneamento, habitação, emprego, segurança alimentar ou preservação ambiental, ele já está contribuindo diretamente para os ODS. Os objetivos não criam obrigações: funcionam como uma linguagem comum que ajuda a organizar prioridades, integrar ações e monitorar resultados.
Quais são os principais desafios e avanços na adesão das cidades?
O principal desafio é a velocidade das transformações. Os municípios precisam responder simultaneamente às mudanças climáticas, a eventos extremos, às desigualdades territoriais e às demandas por saúde, educação e segurança pública.
Por outro lado, a grande vitória é perceber que um número crescente de gestores já compreende que os ODS não são uma agenda internacional abstrata, mas uma ferramenta concreta de gestão pública.
Quais benefícios uma prefeitura obtém ao aderir?
A iniciativa apoia as cidades no planejamento com metas claras, indicadores e projetos alinhados ao território, o que fortalece a reputação do município e sua capacidade de dialogar com financiadores e parceiros estratégicos. O planejamento orçamentário, incluindo PPA, LDO e LOA, pode ser alinhado às prioridades do desenvolvimento sustentável.
Como os ODS são uma linguagem reconhecida globalmente, o município aderente amplia seu acesso a financiamentos, fundos e cooperação técnica nacionais e internacionais. O resultado é uma gestão mais estratégica, transparente e orientada para a qualidade de vida da população.
Gerais enfrenta desafios sérios de desenvolvimento regional e desigualdade. Como a iniciativa pode ajudar de forma integrada?
Ao conectar a gestão aos ODS, os gestores ganham uma visão integrada do desenvolvimento e, com ela, mais capacidade para definir prioridades, monitorar avanços e construir soluções duradouras.
Que resultados concretos já aparecem nas cidades aderentes?
O principal resultado é uma gestão mais organizada, integrada e orientada para resultados. Os municípios participantes têm fortalecido o planejamento, ampliado parcerias e melhorado o acompanhamento de indicadores, o que aumenta a credibilidade da administração e sua capacidade de atrair investimentos e cooperação.
Como outros atores, como universidades, empresas e sociedade civil, podem contribuir?
A implementação dos ODS é, por natureza, um esforço coletivo. A própria CNODS tem composição paritária, reunindo governo federal e sociedade civil em igualdade de representação. Essa lógica precisa se replicar nos territórios.
Associações municipalistas mobilizam e apoiam gestores. Universidades contribuem com pesquisa e formação. Empresas aportam investimentos e tecnologia. Organizações da sociedade civil fortalecem a participação cidadã e conectam políticas às necessidades reais da população. Quando todos atuam de forma articulada, os resultados se multiplicam.
A Agenda 2030 está em sua reta final. Por que aderir agora?
Estamos na Década da Ação para os ODS, um período decisivo para transformar compromissos em resultados concretos. Quanto antes o município participar, mais tempo terá para estruturar estratégias, ampliar parcerias, acessar financiamentos e potencializar políticas públicas já existentes.
O convite é direto: prefeitos e prefeitas, conheçam e participem. Hoje, mais do que administrar, os gestores são chamados a liderar transformações. São eles que estão mais próximos da população e têm a oportunidade real de construir soluções que mudam a vida das pessoas.
Para saber mais, acesse o site.
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