Renato Caran oferece aulas personalizadas nas redes sociais | Crédito: Divulgação

Proibidas de funcionar desde segunda-feira (20), a partir do Decreto nº 17.304, de 18 de março de 2020, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), como forma de evitar aglomerações e disseminação do novo coronavírus (Covid-19), várias academias da Capital estão oferecendo treinos virtuais como alternativa a alunos e clientes. Algumas já ofereciam o serviço e aprimoraram suas plataformas, enquanto outras estão utilizando as redes sociais para disseminar as aulas de seus profissionais.

A Bodytech, por exemplo, com 102 unidades no Brasil e três em Belo Horizonte, disponibilizou o aplicativo BtFit gratuitamente no mundo inteiro, permitindo que as pessoas se exercitem em casa. A ferramenta oferece aulas de yoga, workout, mat pilates e outras, além de mais de 15 programas de treinamento exclusivos e um personal trainer on-line, que prescreve treino sob medida para treinar em casa sem equipamentos, de acordo com algoritmos que fazem uma leitura do perfil do usuário.

Segundo o CEO do aplicativo, Bruno Franco, a ferramenta já era gratuita para todos os clientes da rede e está liberada até hoje (31) para qualquer pessoa no mundo e no Brasil. A plataforma inclui um site e um aplicativo para smartphones e tablets, disponível nos sistemas operacionais Android e iOS.

Desde então, segundo Franco, o volume diário de acessos está 10 vezes maior. “Estamos com uma média de 10 mil acessos simultâneos, chegando a 50 mil acessos por dia”, detalhou.

Franco disse ainda que além de ser pioneira no ambiente virtual, tendo criado o aplicativo em 2015, nas últimas semanas o BtFit foi classificado pela Apple entre os 15 melhores aplicativos do mundo.

E, diante das proporções que o avanço da doença poderá tomar no Brasil e em Belo Horizonte nas próximas semanas, e das medidas de restrição impostas pelos órgãos governamentais, o CEO ponderou que a empresa já estuda alternativas sobre a liberação do aplicativo prevista, inicialmente, até o fim deste mês.

“Vamos avaliar todas as condições, pois por mais que queiramos ser solidários neste momento, existem custos. Mas, mesmo que não seja possível manter a gratuidade para quem não é aluno da rede, vamos oferecer condições diferenciadas”, revelou.

Na Beagarra, vídeos estão sendo postados no YouTube | Crédito: Beagarra/Divulgação

Modelo que veio para ficar – A Academia Beagarra, localizada no bairro Castelo, região da Pampulha, também está disponibilizando treinos on-line. De acordo com o sócio-proprietário, Guilherme Teodoro, neste primeiro momento os vídeos estão sendo postados no YouTube e redes sociais da academia, mas, em breve, serão acessados apenas pela plataforma Hotmart.

“Em 2018, criamos o programa Garra 21, pelo qual, oferecemos treinos de calistenia (com peso do corpo) e Hit (treinos de alta intensidade), com a ideia de mostrar nossos serviços ao público externo, permitindo com que as pessoas fizessem atividade física em qualquer lugar: em casa, praças, escritório ou hotéis. Depois de um tempo, percebemos que este era um produto diferenciado e começamos a oferecer também aos nossos clientes”, disse.

Assim, conforme o empresário, no início deste ano a Beagarra promoveu um desafio entre os alunos e, além dos treinos diários na academia, propôs a realização de atividades extras, por meio do programa. “O pessoal aderiu, gostou, pagou pelo serviço e está pedindo mais”, completou.

Com a determinação de restrição de deslocamento e aglomerações e a liberação do programa, mesmo os alunos que não aderiram ao desafio estão aproveitando para treinar em suas residências. “Por enquanto, vamos deixar em canais abertos até para que outras pessoas conheçam nosso trabalho (somos um dos pioneiros a oferecer treinos de calistenia no Estado). Mas, dentro em breve, limitaremos o acesso aos alunos matriculados ou sob uma taxa paga direto na plataforma”, explicou.

Personal – Já o educador físico Renato Caran, proprietário do Studio Renato Caran, no Padre Eustáquio, região Noroeste da Capital, está oferecendo aulas personalizadas nas redes sociais. Segundo ele, os treinos são enviados para os alunos, por meio de aplicativos de mensagens e também disponibilizadas no Instagram.

“Estamos priorizando exercícios que podem ser feitos em casa, utilizando apenas o próprio corpo e acessórios comuns como cadeira, cabo de vassoura, pacotes de alimentos ou toalha de banho”, citou.

Conforme o professor, 100% dos alunos aderiram a estratégia, no entanto, outras medidas deverão ser tomadas, como forma de amenizar as perdas durante o período em que o empreendimento precisar ficar fechado. Entre elas, a flexibilização do pagamento do aluguel. “Também negociaremos individualmente com os alunos, buscando a melhor solução. Mas, por hora, os treinamentos on-line estão com boa aceitação”, concluiu.