Azul reverte lucro e encerra 2º tri com prejuízo de R$ 1 bilhão após alta dos combustíveis

Custos com combustíveis e cenário desafiador impactam balanço da aérea, que busca otimismo para o mercado brasileiro
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Azul reverte lucro e encerra 2º tri com prejuízo de R$ 1 bilhão após alta dos combustíveis
Foto: Divulgação Azul Linhas Aéreas

A Azul encerrou o segundo trimestre deste ano com prejuízo líquido de R$ 1 bilhão, revertendo o resultado positivo do mesmo período do ano passado, quando a aérea registrou lucro de R$ 1,3 bilhão.

A administração citou a alta dos combustíveis como um dos principais desafios no balanço, divulgado nesta quinta-feira (13), acrescentando que o período costuma ser “o mais desafiador do ano para a rentabilidade no Brasil”.

A guerra no Irã fez com que o preço do petróleo e do QAV (querosene de aviação) subisse, pressionando os custos das companhias aéreas. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) calcula em R$ 5,2 bilhões o gasto extra das empresas brasileiras com combustível desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

“Foi o resultado final que queríamos? Claro que não. Os custos com combustível aumentaram quase R$ 700 milhões durante o trimestre e cortamos capacidade. Mas esse sempre seria um trimestre de transição, de qualquer forma”, disse o CEO da aérea, John Rodgerson, à agência Reuters.

Apesar da reversão do lucro em relação a 2025, a receita da companhia cresceu 0,7%, para um recorde de R$ 5 bilhões. O bom desempenho nesse indicador é atribuído a aumentos de tarifas adotados para compensar a alta dos combustíveis. As receitas de logística também cresceram 16,1% em relação ao ano anterior.

O executivo afirma que segue otimista em relação ao mercado de aviação brasileiro, citando a demanda resiliente. “Os fundamentos no Brasil estão muito bons no momento, e acreditamos que estamos bem posicionados”, diz. “Guerras e crises não duram para sempre.”

O RASK (indicador que mede a receita por assento ofertado) cresceu 12,7%, para R$ 0,43, também um recorde para o período. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 55,4% na comparação anual, para R$ 510,1 milhões. A aérea cita a variação no capital de giro, o capex (investimentos) e os arrendamentos entre os itens não recorrentes que afetaram o indicador.

A Azul também encerrou o segundo trimestre com liquidez imediata de R$ 3,7 bilhões e destacou que, em junho, acessou R$ 330 milhões por meio da linha de curto prazo para o setor regulamentada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Segundo a companhia, a medida confere flexibilidade financeira e permite que a aérea se concentre em seus planos de longo prazo.

Em fevereiro deste ano, a Azul concluiu o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, iniciado em maio de 2025.

“O segundo trimestre mostra a capacidade da Azul de executar seu plano de negócio com disciplina, mesmo em um ambiente desafiador. Seguimos priorizando a rentabilidade, ajustando a capacidade à demanda e fortalecendo nossa estrutura de capital”, afirmou Rodgerson no balanço.

A capacidade doméstica e internacional da aérea foi reduzida em 6,5% e 24,9%, respectivamente, em comparação ao segundo trimestre do ano passado. As reduções, segundo o balanço, estão “em linha com seu plano de reestruturação”.

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