Negócios

Prefeitura prepara programa para levar pequenas e médias empresas de BH ao mercado internacional

Durante o BH Cidade para Negócios, prefeitura anunciou, com exclusividade para o Diário do Comércio, plano de incentivo à internacionalização de empresas e atração de investimentos tecnológicos
Prefeitura prepara programa para levar pequenas e médias empresas de BH ao mercado internacional
Foto | Diário do Comércio/Daniel de Andrade

A entrada de pequenos e médios negócios da capital mineira, de forma mais maciça, no mercado internacional está entre os planos da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para o segundo semestre deste ano. Em entrevista exclusiva para o Diário do Comércio, durante o encontro BH Cidade para Negócios, realizado nesta terça-feira (12), o secretário municipal de Relações Institucionais, Qu Cheng, revela que o executivo municipal planeja a criação de um programa de fomento à exportação para ampliar a competitividade das empresas de BH no exterior.

De acordo com o secretário, a iniciativa terá como objetivo não só qualificar os produtos de Belo Horizonte, como também conectá-los aos compradores e parceiros internacionais. “Nós vamos fazer um chamamento para os pequenos e médios negócios se cadastrarem em nossa plataforma, atualmente em fase de estruturação”, conta.

Cheng revela ainda que a secretaria já está em conversa com diversas entidades que trabalham no setor de exportação para atuarem como parceiras no projeto. “Nosso trabalho inicial vai identificar se há potencial competitivo no produto que os pequenos e médios negócios da capital mineira oferecem. Diante de uma resposta positiva, iremos capacitá-los para que se adequem às normas internacionais”.

Um dos alvos do programa, segundo o secretário, é o setor de alimentos e bebidas da capital mineira que, para ele, vem fomentando a economia na cidade e ganhando destaque nacional, a exemplo de marcas como Xeque Mate, gigante de drinques prontos presentes em 15 estados brasileiros.

Outro setor de interesse do Poder Executivo em Belo Horizonte é o de alta tecnologia. “Queremos estimular a produção de eletrolizadores essenciais na fabricação de hidrogênio verde. Já temos uma parceria com a empresa alemã Neuman & Esser (NEA). Mas queremos trazer mais parceiros e tornar a cidade um polo produtor [de eletrolizadores]”, conta. Cheng acrescenta que este é um ramo de altíssima tecnologia, com demanda para mão de obra qualificadíssima, e que pode ser encontrada na capital mineira.

Cenário de exportação entre pequenos e médios negócios em BH ainda é modesto

Cheng afirma ainda que os pequenos e médios negócios belo-horizontinos ainda têm um valor tímido de exportação. “Ele corresponde a uma fatia muito pequena do Produto Interno Bruto (PIB), menos de 10%. Nosso intuito, realmente, é aumentar essa quantidade e, assim, trazer mais emprego, renda e tecnologia para a cidade”, diz.

O secretário também destaca que, ao atuarem apenas no mercado brasileiro, as empresas têm acesso a uma economia com Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 2 trilhões. No entanto, ao ampliar a atuação para o mercado internacional, esse potencial salta para aproximadamente US$ 120 trilhões. “Isso significa que, ao dialogarmos com o setor produtivo global, ampliamos em até 60 vezes as oportunidades para que as empresas de Belo Horizonte expandam seus negócios em relação ao mercado doméstico”, afirma.

BH Cidade para Negócios aposta em inovação como vetor de desenvolvimento

Com foco em inovação e sustentabilidade, a primeira edição do BH para Negócios reuniu representantes do setor produtivo e empresarial de Belo Horizonte, que discutiram sobre as melhores práticas nas respectivas áreas para serem aplicadas na gestão pública da capital mineira. Oportunidades de parceria e diálogos acerca de aportes em tecnologia e novos negócios para a cidade também estiveram entre as pautas abordadas no evento.

O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) marcou presença no encontro e durante sua fala (vídeo abaixo), fez questão de enfatizar que a cidade não pode deixar as grandes empresas de Belo Horizonte – que nasceram na cidade – migrarem para outros endereços.

O chefe do executivo também frisou que, a Capital, hoje, é uma cidade “completamente destravada” para aqueles que querem empreender. “Somos uma Belo Horizonte do sim, sem as grandes burocracias que tinha para se empreender na cidade”, ressaltou.

Damião disse ainda que o investimento em tecnologia, será, cada vez mais, pujante na cidade. “Neste exato momento estamos colocando semáforos inteligentes nas ruas. Há 20 anos o parque semafórico [da cidade] é o mesmo. São tecnologias que chegam para agregar, resolver os nossos problemas”.

Mesmo sem antecipar os próximos aportes em tecnologia na capital, o prefeito afirmou que, atualmente, muitas empresas internacionais estão apostando em Belo Horizonte. “Já tem empresas que nos procuram para utilizar o nosso parque tecnológico, coisa que a gente não conseguia ver até a nossa chegada aqui. Isso já mostra que estamos no caminho certo, mas essa consolidação é gradual. BH não só está preparada para usar as grandes tecnologias na cidade como também está apta para produzir grandes tecnologias para o Brasil e para o mundo”, conclui.

Também estiveram presentes na rodada de conversas do BH Cidade para Negócios, o secretário municipal de Meio Ambiente, João Paulo Mena Barreto; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Adriano Faria; o diretor-presidente da PBH Ativos, Lucas Faveri; o diretor-presidente da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel), José Colares; e o diretor da Prodabel, Eduardo Starling.

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