Flórida é o principal destino dos investimentos realizados por empreendedores brasileiros no mercado norte-ameircano - Crédito: pixabay

A internacionalização foi um caminho buscado por muitas empresas brasileiras para suportar a crise econômica enfrentada pelo Brasil desde 2014. Os Estados Unidos são o destino mais procurado e natural pelo tamanho do mercado e semelhanças culturais. Nesse mesmo movimento, muitos empresários e empresas brasileiras se tornaram sócios de empresas norte-americanas.

Em três anos, o número de brasileiros aprovados para morar nos Estados Unidos deu um salto. Em 2018, foram emitidos 4.300 vistos de imigração para cidadãos do Brasil – um aumento de 74% em relação a 2015, quando houve 2.478 vistos concedidos, segundo o Departamento de Estado Americano. Muitos destes vistos são concedidos para quem quer investir ou abrir um negócio em território americano.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, de todos os brasileiros que empreendem fora do País – já são mais de 20 mil micros e pequenos empreendedores pelo mundo – 45% estão nos EUA, representando 9 mil empresários.

De acordo com o especialista em negócios Internacionais, André Duek – que reside e atua nos EUA há sete anos – o cenário para empreender em território norte-americano nunca foi tão bom para empresários do Brasil. Os setores em que os brasileiros mais atuam são o alimentício, financeiro, tecnologia e turismo, especialmente no estado da Flórida.

Duek: mineiros se destacam no ramo da gastronomia nos EUA – Crédito: Divulgação

“Os mineiros estão presentes principalmente no Sul da Flórida e em Boston. Eles se destacam no ramo de gastronomia, atuando em restaurantes, padarias, supermercados e, claro, em restaurantes de comida mineira. Os americanos admiram a criatividade e o poder de adaptação e inovação dos brasileiros”, explica Duek.

Remessas – O Banco Central (BC) registrou que, em agosto último, houve a maior quantia de dinheiro remetido do exterior para o Brasil desde 2010, em comparação com o mesmo mês dos anos anteriores. Foram US$ 290 milhões enviados para território brasileiro, com cerca de 25% desse valor referente a dólares oriundos dos EUA, país mais participativo nesse quesito. Em todo o ano, o País já recebeu US$ 1,91 bilhão em transferências pessoais da moeda americana.

“É certo que boa parte desse valor vem das empresas com participação brasileira. O Brasil pode capitalizar isso melhor. Já existe uma ação importante da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) de apoio às empresas que querem abrir o mercado norte-americano, mas ainda é pouco. Exemplos como o sucesso do pão de queijo e o açaí aqui mostram a importância de uma ação institucionalizada”, completa o especialista.