Crédito: Arquivo DC

A Câmara Chinesa de Comércio do Brasil recebeu, ontem, em Belo Horizonte, o cônsul comercial a República Popular da China no Brasil, Xu Yuansheng, para participar do seminário “Projetos de Energia Renovável: desafios e soluções”. O objetivo do evento era tratar do cenário da produção e comercialização das energias renováveis no Brasil e as oportunidades de negócios entre os dois países.

A estruturação de projetos de geração de energia renovável gera grandes desafios para os empreendedores nas áreas regulatória, ambiental, jurídica e financeira. Todos esses pontos foram discutidos. Para o representante do governo chinês, Brasil e China são dois países em desenvolvimento que têm muitos interesses em comum. E, assim, Minas Gerais tem um papel importante pelo seu potencial de desenvolvimento da indústria de energias renováveis.

“O Estado já exporta minério e produtos agrícolas para a China, sendo um parceiro comercial importante. Baseado nos benefícios comuns que Minas e China podem alcançar, entendo que as empresas mineiras têm muito a lucrar desenvolvendo o mercado de energia renovável. A convite da Câmara estamos aqui e convidamos cinco empresas chinesas de energia para promover um intercâmbio e mútua cooperação na área. O Consulado Chinês, no Rio de Janeiro, gostaria de trabalhar em conjunto com o Estado de Minas Gerais, bancos e câmaras de comércio para promover a colaboração nas áreas de energia e mineração”, afirmou Yuansheng.

Apesar das diferenças culturais e do tão falado “conservadorismo” do empresariado mineiro, os negócios entre o país asiático e Minas Gerais são antigos. E essa relação deve ser aprofundada nos próximos anos.

“Os chineses têm como característica a paciência e nessas décadas de abertura aprendemos a lidar com todos os mercados. E a nossa relação com Minas Gerais é antiga e deve se tornar ainda mais forte com o desenvolvimento do mercado de energias renováveis”, pontuou o cônsul chinês.

O sócio da Manucci Advogados, Tiago Fantini, participou do evento com a palestra “Meio ambiente e energia: aspectos éticos”. Para ele, a primeira questão é a ética. Para trabalhar eticamente é preciso vigília constante. Um só deslize destrói todo um trabalho. Para demonstrar sua tese, ele trouxe os dados de uma pesquisa da Price publicada em maio que mostra que a falta de ética foi o principal motivo para a rotatividade de CEOs nas 2.500 maiores empresas globais de capital aberto.

“É a primeira vez, em 19 anos dessa pesquisa, que a falta de ética lidera a causa de demissões entre CEOs. Estamos falando de um tema que precisa ser enfrentado. Precisamos perguntar se essas pessoas faltaram a esse compromisso por que são ruins, piores que nós? Não. São pessoas comuns, somos nós. Então essa pergunta é extremamente importante. Eu sou ou seria uma exceção em um ambiente corrompido?”, provocou Fantini.

No campo da geração de energia e meio ambiente a conduta ética exige planejamento e metodologia. O compliance aplicado ao meio ambiente exige três dimensões: Prevenção – avaliação de riscos; políticas e procedimento; estrutura; e comunicação e treinamento. Detecção – monitoramento e testes; canal de denúncias. Resposta: investigação; medidas disciplinares e remediação, reporte.

“Muitas vezes é preciso um fator externo para mudar o ambiente. Cultura não se conserta, se transforma. É preciso ter uma estratégia para fazer isso e é aí que a governança corporativa entra. Eu só consigo enxergar que a minha estratégia está funcionando nos corredores, nas conversas com as pessoas. Eu posso ter o melhor plano, se as pessoas não estão aderentes, não adianta”, conclui o advogado.

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