Direcional vê oportunidades em alta de custos
A construtora Direcional avalia que um cenário de alta de custos pode pressionar rivais menos preparados, gerando oportunidades de incremento de lançamentos pela companhia nos próximos anos, afirmou o presidente executivo, Ricardo Gontijo, nesta terça-feira (12).
“A prioridade nossa é geração de caixa. Queremos construir o que está vendido, mas, se percebermos a VSO (velocidade de vendas) subindo forte, nós temos bastante projeto em aprovação que nos permitiria fazer o lançamento”, disse o executivo durante conferência com analistas após a publicação dos resultados de primeiro trimestre na noite da véspera.
“Poderíamos incrementar lançamentos em 2027 e 2028″, afirmou o executivo, citando como condição para isso um indicador VSO de 25% que serviria para incentivar a empresa a acelerar lançamentos. A Direcional fechou o primeiro trimestre com VSO de 24%.
Gontijo afirmou ainda que a companhia teve um mês de abril “forte em vendas, com demanda importante” após mudanças no programa Minha Casa Minha Vida em março. As alterações permitiram aumento da renda máxima das famílias elegíveis e dos valores máximos de financiamento.
As ações da companhia mostravam alta de 1,2% às 11h50, enquanto o Ibovespa tinha recuo de cerca de 1%.
O presidente da Direcional citou que a companhia tem conforto sobre continuar trabalhando com margens “bastante sólidas” e comentou que a empresa começou a “trabalhar com reprecificação de produtos” no final de abril, em uma preparação para um eventual aumento de custos de insumos nos próximos meses diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Questionado sobre preocupações da empresa acerca de custos nos próximos trimestres e eventuais impactos disso sobre procura por imóveis, o executivo respondeu que “não tem luz nem amarela sobre demanda e custo temos conforto importante”.
Na frente de oportunidades, a empresa também vê com bons olhos discussões sobre novo plano diretor de Belo Horizonte, para incentivar adensamento e verticalização do centro da capital mineira, de onde a Direcional obtém 20% dos negócios do grupo.
“Vai ser muito benéfico para a cidade como um todo, vai ter uma revitalização importante”, disse Gontijo. “Pode ser um vetor de crescimento importante para a empresa.”
Já sobre inadimplência, o diretor financeiro, Paulo Martins de Sousa, comentou que, após mudanças no ano passado na política de crédito da Direcional, a empresa vê “numa janela de médio prazo um cenário de melhora de carteira…talvez até com desprovisionamento”.
Conteúdo distribuído por Reuters
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