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Mário Neto Borges*

A pandemia tem feito todas as pessoas refletirem sobre os reais valores de uma nação civilizada e muitas têm mudado sua visão de mundo. Neste sentido, a ciência tem ganhado um destaque especial e nunca foi tão mencionada no Brasil como nos últimos meses, incluindo autoridades, especialistas, políticos e pessoas que não são do ambiente acadêmico – onde ela já é valorizada. Isso é bom.

A ciência, até então, não era considerada um valor para a sociedade brasileira, como sempre destacou o eminente professor mineiro José Israel Vargas. Mesmo assim, é preciso sempre enfatizar que a evolução da humanidade passa, necessariamente, pelo avanço da ciência, que, ao fim e ao cabo, traz melhor qualidade de vida para a sociedade.

Nesta trajetória de avanços, a humanidade sempre lançou mão da ciência e da tecnologia para suprir suas necessidades do dia a dia. Das pirâmides do Egito e dos aquedutos romanos aos smartphones e tablets, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia foi exponencial.

A engenharia, por seu lado, também se reveste de importância crucial no processo por ser a responsável por transformar o conhecimento científico em solução de problemas e geração de riqueza.

Neste século do conhecimento este conjunto – ciência, tecnologia, inovação e engenharia – tem estado intensamente presente e sido extremamente eficiente em encontrar novas técnicas mais aplicáveis à solução de problemas nas diversas áreas de interesse do ser humano.

No momento, o foco está na descoberta de elementos biológicos, químicos e físicos que permitam o desenvolvimento de vacinas e de medicamentos apropriados para lidar com esta pandemia.

Vale destacar que o Brasil, por meio de seus cientistas e pesquisadores, tem participado deste esforço mundial e no mesmo nível de colegas europeus, americanos ou asiáticos, com destaque especial para parceria de projetos brasileiros, neste tema, com equivalentes europeus em iniciativas conjuntas do Brasil com a União Europeia para enfrentamento do coronavírus.

A possibilidade da parceria de cientistas brasileiros com os pesquisadores europeus se dá pelo fato de estarem no mesmo nível de produção científica e capacidade de atuar na fronteira do conhecimento.

Isso porque o Brasil tem aumentado significativamente sua produção científica de alto nível e ocupa hoje a honrosa 13ª posição no ranking internacional, sendo responsável por 2,7% da produção mundial de artigos científicos indexados.

Mesmo que o Brasil ainda não tenha sido capaz de converter estes indicadores científicos em tecnologia e inovação na mesma proporção, precisamos reconhecer o valor da ciência brasileira.

Exemplos não faltam no agronegócio, na aviação, na produção de petróleo, assim como na saúde – destaque recente para a questão do zika vírus. Ficou demonstrado que para a ciência avançar e produzir os resultados desejáveis é necessário investimento robusto e de longo prazo.

A ciência exige um ritmo próprio de demonstração de evidências que não pode ser atropelado sob o risco de se cometer erros.

Portanto a ciência brasileira tem uma importante contribuição a desempenhar no desenvolvimento do País.

Assim, a ciência se reveste de importância crucial para o Brasil, que tem que avançar rápido no processo de apropriação do conhecimento para garantir seu desenvolvimento sustentável com geração de riqueza e solução dos grandes problemas que ainda afligem os brasileiros. A ciência tem seu o seu valor.

*Engenheiro eletricista. Foi presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Minas Gerais (Fapemig) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)