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Especial: Pandemia tira de cena casas de espetáculo

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Crédito: Orlando Bento

Foi de repente: o palco escureceu, a plateia emudeceu e as cortinas fechadas. Luzes, alegria e aplausos foram substituídos por dúvidas quase incontáveis e uma grande dificuldade para manter a saúde financeira dos empreendimentos.

Passado quase um ano do início da pandemia, as casas de espetáculo – teatros, cinemas, bares, boates e outros locais que têm nas apresentações culturais seu grande atrativo – resistem e se preparam para um futuro bastante diferente, cercado de protocolos de biossegurança e exigindo novas formas de fazer negócios.

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O certo é que a grande tragédia da Covid-19 mostrou ao mundo que a arte é um item de primeira necessidade e que os locais dedicados a ela não vão acabar. No “novo normal” a sustentabilidade desses lugares passará pelo entendimento sobre a desfragmentação do público e de que a cooperação entre produtores e gestores é fundamental.

Centros culturais apostam em modelos híbridos

Fechados por quase todo o ano de 2020, os teatros ainda vivem em compasso de espera. A reabertura das atividades econômicas em diferentes estágios de cidade para cidade, não permite que praticamente nenhum tenha ocupação acima de 50% da capacidade no Brasil.

No bairro de Lourdes, na região Centro-Sul, o Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, no Minas Tênis Clube, aposta em modelos híbridos para manter as atividades e também que esse será o futuro das produções.

De acordo com o diretor de Cultura do Minas Tênis Clube, André Rubião, o atual protocolo que permite 50% de ocupação, na realidade só permite que um terço do espaço seja ocupado para que sejam respeitadas as regras de distanciamento entre os espectadores. Aumento de custos com insumos de limpeza, treinamento de equipes em um cenário de diminuição de receitas fazem parte dessa nova realidade.

“Trabalhamos locando espaço e com as nossas próprias produções. A locação está muito limitada e para manter as nossas produções partimos para a transmissão on-line. A partir de agora, com a vacinação, acreditamos em modelos híbridos, com parte da plateia presencial e, outra, virtual. Nesse momento, as leis de incentivo se tornam ainda mais importantes para que haja uma dependência menor da bilheteria. Esse tipo de ação pode ter um grande alcance. Tivemos uma experiência de um projeto que alcançava 150 pessoas na plateia e que teve 5 mil no virtual. Precisamos aprender como monetizar esse alcance”, explica Rubião.

Investimento – Ainda que as incertezas sejam muitas, a parceria entre a Unimed-BH e o Minas Tênis segue acreditando na vontade dos espectadores se sentarem confortavelmente na plateia. E, por isso, estão investindo na construção de duas salas de cinema – com inauguração prevista para o fim do ano – e uma biblioteca dentro do Centro Cultural, que deve ser aberta ainda no primeiro semestre. O investimento total está estimado em R$ 3,5 milhões.

Algumas coisas vieram para ficar, defende Sandra Campos | Crédito: Cleidisson Dornelas

Cravado no hipercentro, o Cine Theatro Brasil Vallourec também passa por intensas mudanças. Segundo a gerente de Planejamento e Ação Cultural do Cine Theatro Brasil Vallourec, Sandra Campos, a busca pela sustentabilidade sempre foi uma constante, já que o custo de um espaço cultural e da preservação do patrimônio é sempre muito alto.

“Algumas coisas vieram pra ficar mesmo com a vacinação e o retorno do público: o cuidado com a saúde coletiva e a segurança para receber. 2020 foi um ano que estimulou muitas inovações. Estamos saindo mais fortes, de março a dezembro fizemos 28 transmissões de espetáculos teatrais e musicais. Fomos os primeiros a fazer uma live do próprio palco e também eventos híbridos. Tivemos muito cuidado, pensando no que poderíamos fazer pelas pessoas. Tínhamos que dar um retorno de qualidade além do patrocínio garantido. Tivemos editais adaptados para o virtual. Sessões de cinema virtuais. Performances premiadas. O educativo produziu conteúdos que foram utilizados pelas escolas. Retorno financeiro não tivemos. O mundo cultural não será o mesmo. Novos hábitos foram estabelecidos. A retomada do público será gradual e teremos novos públicos virtuais. Hoje, 90% do que apresentamos é de terceiros, locação. Devemos pensar novos negócios, novas parcerias e o próprio Cine Brasil criar novos eventos”, avalia Sandra Campos.

Protocolos sanitários oneram gastos do setor

O esforço para sustentar as casas de espetáculo também parte dos produtores. Buscar novos formatos e modelos de financiamento e patrocínio sem abrir mão dos palcos é a principal missão. Ainda que o público esteja ansioso por se divertir e se emocionar cara a cara com os artistas, os protocolos sanitários e as novas tendências de consumo já têm impacto direto sobre a atividade.

Tatyana Rubim: setor passa por verdadeira reconstrução | Crédito: Barbara Dutra

De acordo com a diretora da Rubim Produções, Tatyana Rubim, o setor passa por uma verdadeira reconstrução. A transformação digital atingiu em cheio as atividades da produtora e monetizar os novos formatos é ainda um desafio. Lidar com um público que possivelmente terá que avaliar os preços dos ingressos diante de uma grave crise econômica, ajuda a compor um quadro muito complexo.

“Passamos por uma reconstrução. Os repertórios foram para o formato totalmente digital, focamos na web e na aprendizagem de produção para o virtual. Aprendemos a lidar com os protocolos e entendemos que a transformação digital é uma ferramenta e veio para ficar. Ainda não sabemos como monetizar. Fornecemos muito conteúdo gratuito em 2020, mas o setor precisa sobreviver. Como monetizar as bilheterias que voltarão reduzidas em 60% é uma questão importante. Com a recessão, as pessoas vão pesar o preço dos ingressos. Teremos o desafio de criar outros repertórios que promovam outras maneiras de arrecadação de recursos. Acredito, também, que vai aumentar o nível de colaboratividade no setor e haverá um redimensionamento do trabalho. Teremos que nos estruturar na gestão do trabalho e das entregas e focar na experiência do consumidor. Promover as inovações no presencial é uma responsabilidade do produtor, do espaço, e das instâncias de poder. O entendimento da cadeia criativa tem que ser tomada de maneira mais especial. O programa cultural acessa muitos outros serviços. Se tem um setor que gera empregos com agilidade é o nosso”, explica Tatyana Rubim.

Oportunidade – Do outro lado da cadeia produtiva, bares e restaurantes também oferecem palco para diferentes manifestações artísticas, principalmente a música ao vivo.

As redes paranaenses Porks e Mr Hoppy, com unidades na região Centro-Sul, têm como característica o fast food e apresentação de artistas locais. Antes da pandemia as apresentações eram diárias. Em 2021, essa frequência foi bastante reduzida, mas a expectativa é de que com o avanço da vacinação o ritmo retorne aos padrões anteriores.

Segundo o franqueado da Mr. Hoppy em Belo Horizonte, Diogo Manfredini, o modelo dos bares com área externa ajuda a promover o distanciamento social de forma mais tranquila, mas, mesmo assim, é preciso cuidar para que todos os protocolos sejam seguidos à risca.

Manfredini: aproveitamos para aprimorar toda a operação | Crédito: Divulgação

Para ele, entre as lições de 2020 que vão ajudar a garantir a sustentabilidade dos negócios daqui para frente, uma das mais importantes, é o controle rígido dos custos.

“A forma como montamos o nosso espaço e o tíquete médio baixo indicam um quadro positivo para o futuro. Sobre os shows agora pedimos que as pessoas assistam sentadas à mesa e não mais se aglomerem na frente da banda. Em termos de gestão, a maior lição desse tempo trágico para todos, foi rever todos os gastos e fazer de maneira mais consciente. Otimizar todo centavo que entra e sai será uma necessidade desses novos tempos. Aproveitamos para aprimorar toda a operação”, pontua Manfredini.

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