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Estradas precárias ameaçam competitividade do Estado

Presidente que representa as empresas de transporte de carga em Minas Gerais defende que discussão sobre infraestrutura seja encarada como estratégia de desenvolvimento econômico
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Estradas precárias ameaçam competitividade do Estado
Pesquisa mostra que 65,4% das rodovias avaliadas em MG foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas | Foto: Divulgação CNT

Minas Gerais reúne características únicas para se consolidar como o principal corredor logístico do Brasil. Com a maior malha rodoviária do País, estimada em cerca de 272 mil quilômetros, e localização estratégica entre as principais regiões produtoras e consumidoras, o Estado tem potencial para liderar a movimentação de cargas em território nacional. No entanto, gargalos históricos na infraestrutura viária continuam elevando custos, reduzindo a competitividade das empresas e dificultando o aproveitamento pleno dessa vocação logística.

O tema ganha ainda mais relevância em um momento em que o agronegócio mineiro assumiu a liderança das exportações estaduais, superando a mineração e movimentando US$ 19,8 bilhões em 2025. A dependência do modal rodoviário para o transporte da produção faz com que a qualidade das estradas tenha impacto direto nos custos das empresas, no preço dos produtos e na eficiência das cadeias de abastecimento.

Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que 65,4% das rodovias avaliadas em Minas Gerais foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas. O levantamento também aponta que as condições das vias podem elevar em até 34,8% os custos operacionais do transporte no Estado, devido ao aumento do consumo de combustível, desgaste dos veículos e maior tempo de deslocamento.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a discussão sobre infraestrutura deve deixar de ser vista apenas como uma demanda do setor de transportes e passar a ser tratada como uma estratégia de desenvolvimento econômico.

“Minas ocupa uma posição privilegiada no mapa brasileiro. Estamos próximos dos principais mercados consumidores e produtores do País. Se tivermos uma infraestrutura mais eficiente, podemos reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das empresas mineiras e transformar o Estado em um grande corredor de distribuição nacional”, afirma.

Segundo ele, o desafio não está necessariamente na abertura de novas rodovias, mas na melhoria das condições das estradas já existentes, especialmente nas ligações regionais e nos acessos a áreas produtoras. “Temos muitos trechos secundários e estradas não pavimentadas que dificultam o transporte e aumentam significativamente as distâncias percorridas. Em alguns casos, uma ligação que poderia ser feita de forma direta exige desvios muito maiores, gerando mais custos para toda a cadeia produtiva”, observa.

Além da recuperação e modernização da malha rodoviária, o presidente da entidade defende investimentos em estruturas capazes de integrar diferentes modais de transporte. “Infraestrutura não é apenas estrada, precisamos ampliar os terminais intermodais, fortalecer os centros de distribuição e criar condições para que as cargas percorram trajetos mais eficientes. O caminhão continuará sendo fundamental, mas ele deve atuar integrado a outros modais sempre que possível”, destaca.

Na avaliação do presidente do Setcemg, Minas Gerais reúne todas as condições para se tornar um dos principais hubs logísticos do País, desde que a infraestrutura acompanhe o crescimento econômico do Estado. “Minas já tem a localização, a produção e a vocação logística. O que precisamos é transformar esse potencial em vantagem competitiva. Investir em infraestrutura significa reduzir custos, atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento regional”, acrescenta.

Diante do crescimento da produção agropecuária, da expansão das atividades industriais e da posição estratégica de Minas Gerais no mapa nacional, especialistas e representantes do setor apontam que a modernização da infraestrutura logística será decisiva para o futuro da economia estadual. A melhoria das rodovias, associada à ampliação de terminais intermodais e centros de distribuição, pode fortalecer a competitividade mineira, reduzir custos operacionais e consolidar o Estado como um dos principais corredores logísticos e de distribuição de cargas do Brasil.

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