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Eventos transformam turismo em vetor de desenvolvimento

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A Semana Santa, tradicionalmente, ocupa completamente a rede hoteleira de Ouro Preto | Crédito: Adelmo Carlos Viana dos Santos

Ruas movimentadas, lojas e restaurantes cheios, muita gente se divertindo e clima de confraternização no ar compunham o cenário dos eventos culturais espalhados pelas cidades mineiras até 2020. Por trás de toda essa alegria havia um exército de pessoas, também contentes por estarem trabalhando, que colocava tudo de pé e fazia a “roda da economia girar”.

Estima-se que 18% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial seja gerado pela cadeia produtiva da cultura. Para a tão sonhada retomada da economia, os eventos são peças fundamentais. De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz, dentro da agenda do desenvolvimento local existe uma importância guardada muito grande para os eventos artístico-culturais. O empresário é também presidente do Conselho de Desenvolvimento Local e Regional da Fiemg.

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“Percebemos que dentro de cada cidade, de acordo com a regionalidade, tem potencial para explorar algo dessa natureza. Uma cidade de negócios, como Ipatinga (Vale do Aço), por exemplo, tem na agenda de convergência o turismo. Pouca gente imagina que Ipatinga possa ser um polo de turismo, mas eles têm o Parque do Rio Doce, com espécies raras que podem promover o turismo ecológico em uma cidade ancorada na siderurgia. A essa ação podem ser incorporados bens culturais. Eventos de meio ambiente podem gerar desenvolvimento cultural e gerar divisas. Isso, muitas vezes, não é considerado na devida proporção. Temos muitas cidades da Estrada Real que poderiam explorar eventos consolidados pelo projeto. Até mesmo em cima da produção local de alimentos. Sabará e Rio Acima (Região Metropolitana de Belo Horizonte), que fazem isso com a jabuticaba, são bons exemplos”, afirma Diniz.

No Campo das Vertentes, Tiradentes é uma cidade que vive dos eventos, mas nem sempre foi assim. Prestes a completar 25 anos no comando da Mostra de Cinema de Tiradentes, Raquel Hallak relembra as dificuldades de começar um evento em uma cidade que parecia “hostil” ao turista.

“A Mostra de Cinema é um evento de transformação, precursor da vocação turística da cidade. Ninguém conhecia Tiradentes. Uma cidade que foi abandonada após o fim do ciclo do ouro. Quando começamos, a cidade tinha 450 leitos, hoje são mais de 5 mil. Não tinha telefone público. O nosso diálogo inicial foi com os empresários locais. Para um evento anual como pretendíamos, a cidade precisava reagir e investir, principalmente na rede hoteleira e gastronômica. Ajudamos a reativar a associação empresarial da cidade, capacitando profissionais para assegurar um calendário anual. Os empresários precisam de confiança, previsibilidade para trabalhar. Muito mais que a programação, o evento precisa desse diálogo. Tudo isso sem perder a característica da cidade. O poder público não faz o evento, ele regula e atua onde é a sua obrigação de manter a cidade funcionando”, explica Raquel Hallak.

Tiradentes parecia “hostil” ao turista, lembra Raquel Hallak | Crédito: Leo Lara/Universo Produção

Ao longo do tempo, Tiradentes se estruturou e se tornou um polo de eventos tão significativos e diversos como o Festival de Gastronomia de Tiradentes, Festival Vinho e Jazz e Tiradentes em Cena, entre outros.




“Queremos mostrar para os conselhos do interior a importância da promoção das regiões. O Vale do Jequitinhonha, por exemplo, tem uma cultura específica. Eles vêm se apresentar em Belo Horizonte, mas é importante também levar as pessoas para lá. As cidades precisam se preparar para isso. A gente vê o exemplo do que aconteceu em Tiradentes. Com o advento do híbrido na pandemia, ampliamos o alcance dos eventos. Temos uma cultura riquíssima e muitos eventos em Minas, mas ainda precisamos aprender a gerar experiências. Ninguém vai comer só queijo ou ouvir só música, temos que trabalhar circuitos, oferecendo opções singulares, experiências particulares”, pontua o vice-presidente da Fiemg.

Outra cidade que tem nos eventos culturais uma das forças da economia e se prepara para o fim do ciclo da mineração é Ouro Preto, na Região Central. Patrimônio da Humanidade reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a cidade já tem, segundo dados da Prefeitura Municipal, mais gente empregada em serviços e turismo do que nas mineradoras, embora a  mineração ainda seja responsável por cerca de 70% da arrecadação de impostos do município. 

Para o secretário de Governo e de Desenvolvimento Econômico Municipal de Ouro Preto, Felipe Vecchia, a volta dos eventos é imprescindível para a economia da cidade, já que o  calendário comporta mais de 400 eventos anuais, entre públicos e patrocinados pela iniciativa privada.

Só o Carnaval, que nos últimos anos foi patrocinado, fez um giro de R$ 25 milhões na última edição. O Festival de Inverno, que dura um mês, injetou cerca de R$ 35 milhões na economia e a Semana Santa, tradicionalmente, ocupa completamente a rede hoteleira da cidade.

“As atividades turísticas estão voltando aos poucos, seguindo todos os protocolos sanitários, e, por isso, ainda não decidimos sobre o Carnaval de 2022. Aprendemos ao longo da pandemia a manter o interesse por Ouro Preto vivo através da internet. Fizemos, por exemplo, a transmissão ao vivo das cerimônias da Semana Santa e da confecção dos tradicionais tapetes de serragem. Percebo que, com essa tendência de um turismo mais próximo e com apelo ecológico, há muitas oportunidades para os nossos distritos. Lavras Novas foi eleita o sétimo melhor destino do Brasil, São Bartolomeu concorre para ser a Vila mais aconchegante do mundo. Tudo isso pode ser capitalizado junto com o nosso patrimônio histórico para trazer os turistas de volta em segurança, e os eventos têm papel importantíssimo no desenvolvimento de toda a região”, analisa Vecchia.

Ouro Preto: mais empregos no turismo do que na mineração | Crédito: Leo Lara/Universo Producão

No mesmo sentido trabalha a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (Appa – Arte e Cultura), organização sem fins lucrativos que há mais de 28 anos realiza ações culturais e de promoção do patrimônio, ao gerir mais de R$ 150 milhões captados juntos ao setor público e privado, destinados a mais de 250 iniciativas.




Para o presidente da Appa, Felipe Xavier, existe uma demanda reprimida por eventos capaz de contribuir muito para o fortalecimento da economia mineira, fazendo da economia criativa e da cultura, especificamente, uma das molas propulsoras mais potentes da retomada pós-pandemia.

“Temos um setor pujante. A produção de uma ópera no Palácio das Artes, por exemplo, ocupa 400 pessoas por quatro meses. É um giro de 170% do valor investido. A cultura é um indutor turístico extremamente relevante. A pandemia nos revelou o ambiente ‘figital’. Agora realizamos espetáculos com ingressos presenciais e digitais. Além disso, o on-line permite outro tipo de interatividade. Tivemos peças em que o público escolhia o desenrolar da trama. A indústria de arte digital se reinventou e as obras passaram a ser comercializadas de outra forma. Tudo isso é oportunidade porque são novas experiências que geram novas formas de produzir e consumir”, completa Xavier.

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