Mil mudas originais já renderam 60 quilos em fevereiro - Daniela Maciela

O desenvolvimento de uma vocação econômica traz consigo uma infinidade de novos negócios. A produção de cervejas artesanais na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e na região Central do Estado movimenta toda uma cadeia produtiva que agora também agrega a produção de insumos com o plantio de lúpulo, na cidade de Rio Espera, na região Central.

A variedade Mantiqueira, desenvolvida na região de Campos do Jordão (SP), tem se adaptado com facilidade ao clima das montanhas mineiras. Em dois terços de hectare o sócio da Fazenda Fartura, o veterinário Getúlio Guedes de Souza, já está completando a segunda colheita.

As mil mudas originais já renderam 60 quilos em fevereiro. O plano é dobrar o número de plantas já no próximo plantio e mais que dobrar a produção, já que as plantas já existentes, mais maduras, tendem a produzir mais. O lúpulo colhido e beneficiado é vendido principalmente para cervejeiros do polo de Juiz de Fora, na Zona da Mata, e para a Cervejaria da Loba, sediada em Santana dos Montes, também na região Central.

“O investimento para criar as condições de cultivo foi de R$ 100 mil, incluindo o maquinário. Todo o cultivo é manual e feito por trabalhadores locais. A colheita feita apenas por mulheres, já que cada flor do lúpulo (parte que interessa à indústria) precisa ser tratada com extremo cuidado”, explica Souza.

A planta exige uma alta incidência solar – em torno de 12 horas diárias – e irrigação, embora o solo não possa ficar encharcado. O sistema de irrigação escolhido foi o gotejamento. Para ajudar na fixação do nitrogênio – composto extremamente importante para o desenvolvimento do lúpulo – o plantio é feito em conjunto com o cultivo de feijão – planta que tem grande capacidade de fixação.

Pioneiros na região, os agricultores já começam a ganhar concorrentes. “Existem poucas experiências com plantio de lúpulo no Brasil. Aqui na região somos os primeiros. Agora nossos vizinhos estão se interessando e começando a estudar e plantar. Isso é importante pra nós. Hoje todo o conhecimento que temos vem da leitura de artigos estrangeiros. Ter outras pessoas produzindo ajuda no desenvolvimento de todos. Estamos também buscando parcerias com universidades. Já trabalhamos com a UFV (Universidade Federal de Viçosa)”, destaca o veterinário.

Enquanto isso, na Cervejaria da Loba, criada em 2013, o ritmo de expansão é intenso. A fábrica vai ganhar 1,2 mil metros quadrados. A produção de 70 mil litros mensais passará a 120 mil litros assim que os equipamentos entrarem em operação. A meta é alcançar 150 mil litros por mês logo que a produção atinja o ápice. São produzidos 13 diferentes rótulos.

Segundo o mestre-cervejeiro responsável pela produção, Kelvin Azevedo Figueiredo, tudo deve estar em funcionamento até o abril. “A expansão é um processo demorado e delicado. Hoje não conseguimos atender todos os pedidos. Foi investido R$ 1,2 milhão e devemos aumentar o número de colabores em cerca de 30%”, afirma Figueiredo.