Minas Trend chega à 36ª edição com setor de moda que emprega 115 mil em Minas

Evento será realizado em outubro, enquanto indústria mineira enfrenta desafios de custos, mão de obra e competitividade
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Minas Trend chega à 36ª edição com setor de moda que emprega 115 mil em Minas
Crédito: Juliana Sodré/ DIÁRIO DO COMÉRCIO

Um dos principais eventos de moda do Estado, o Minas Trend será realizado de 20 a 22 de outubro, em Belo Horizonte e terá o tema “Made in Minas” como gancho central da 36ª edição. Atualmente, o setor de vestuário movimenta uma cadeia de mais de 8,4 mil estabelecimentos e cerca de 115 mil empregos formais em Minas Gerais. Os dados de 2025 foram levantados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e consideram as atividades de produtos têxteis, vestuário e acessórios, couro e calçados.

O peso da cadeia também aparece na participação de Minas no mercado nacional. No ano passado, o Estado concentrava cerca de 13% dos estabelecimentos e 10% dos empregos formais desses segmentos no País. Entre janeiro e julho deste ano, respondeu por aproximadamente 18% da geração líquida de postos de trabalho formais da cadeia nacional, aponta a entidade.

Mesmo com a dimensão do mercado, empresas do setor enfrentam dificuldades para ampliar a produção e, por isso, iniciativas como o Minas Trend assumem um papel central para o compartilhamento de estratégias e inovação. Entre os principais pontos de pressão estão a disponibilidade de trabalhadores especializados, o custo das matérias-primas, a carga tributária e as condições de financiamento.

Para a economista da Fiemg Luiza de Mello, os juros elevados dificultam o acesso ao crédito e podem limitar investimentos em expansão e modernização. Ela cita ainda os custos logísticos, tributários e regulatórios e a concorrência com produtos importados como fatores que afetam a competitividade das empresas.

Do desenho à produção

Na prática, o desenvolvimento de uma coleção envolve uma sequência de decisões antes de a peça chegar ao varejo. Na Patogê, uma das empresas que participam do Minas Trend, o processo começa com pesquisa de tendências e planejamento do volume de produção.

Depois vêm desenho, análise de viabilidade, desenvolvimento da peça-piloto, modelagem e definição de custos. A produção passa, então, por costura, lavanderia, acabamento, finalização e expedição. O processo exige profissionais para diferentes etapas, mas encontrar mão de obra especializada é um dos principais obstáculos apontados pela empresa.

“Os principais desafios são: dificuldade de encontrar mão de obra especializada, na maioria das vezes nos exigindo treinar e formar equipes; altos custos de matérias-primas, a maioria deles tem seus aumentos baseados na flutuação do dólar; alta carga tributária, tornando a margem de retorno bem apertada”, avalia a diretora da Patogê, Patrícia Castro.

Além do vestuário

A indústria de joias, bijuterias e acessórios também integra esse mercado. Dados da Fiemg mostram que em Minas Gerais, o segmento reúne 220 empresas e quase mil empregos formais. As exportações chegaram a aproximadamente US$ 54 milhões em 2025.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Joalheria, Ourivesaria, Lapidação de Pedras Preciosas e Bijuterias de Minas Gerais (Sindijoias Ajomig), Murilo Graciano, o segmento funciona como uma ligação entre fornecedores de matéria-prima, empresas responsáveis pela transformação e o varejo.

“A indústria de joias e acessórios tem papel fundamental na cadeia produtiva da moda. Ela ocupa posição de elo entre os agentes que fornecem a matéria-prima, transformando, criando e executando para entregar aos atores que atuam no varejo”, observa.

O evento é realizado pelo Sistema Fiemg, com apoio master do Sebrae Minas.

Serviço

  • Minas Trend 36 – Made in Minas
  • Data: 20 a 22 de outubro de 2026
  • Local: BH Shopping – Piso Ouro Preto, Belo Horizonte
  • Horário: dias 20 e 21, das 10h às 20h; dia 22, das 10h às 17h

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

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