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“Novo normal”: Pandemia leva indústria a rever processos produtivos

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indústria automotiva
Crédito: Leo Lara / FCA

Considerada atividade essencial, a indústria não escapou da necessidade de alterar o dia a dia do chão de fábrica para proteger suas equipes do alastramento do Sars-CoV-2. Elas “reinventaram” as linhas de produção, alternando turnos, colocando barreiras físicas de proteção entre os trabalhadores, entre outras providências.

Se a automação, em muitos setores, já liberou a indústria daquela velha imagem de galpões cheios de gente em movimentos repetidos, ainda assim é preciso cuidar para que as equipes respeitem protocolos de segurança sanitária e distanciamento social em diferentes ambientes das empresas.

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No “novo normal” das linhas de produção, “saúde” é palavra de ordem. Treinamentos e comunicação eficiente fizeram das indústrias lugares de disseminação de informações corretas, com amplo potencial multiplicador.

Em tempos de fake news, lideranças empresariais se converteram em “evangelizadores” de uma ordem sanitária que preconiza corresponsabilidade pela vida de todos.

Tecnologia é aliada na prevenção

As atividades das siderúrgicas apresentam um alto risco pela própria natureza do setor. Essa característica, talvez, tenha ajudado a Aperam South America, com operação em Timóteo (Vale do Aço), a implantar as ações de prevenção à Covid-19 com mais facilidade.

De acordo com a gerente-executiva de Automação e Infraestrutura da Aperam, Ivana Coelho da Silva, o primeiro passo para garantir a saúde dos colaboradores é impedir que pessoas com suspeita da doença entrem no espaço da produção. Para isso, foi instalado um sistema de aferição da temperatura direcionado aos caminhoneiros que acessam a planta. O equipamento, chamado speed face, a partir da inteligência artificial afere temperatura e detecta se o caminhoneiro está usando máscara. O equipamento emite um ticket com todos os dados e prazo de validade.

“É importante impedir que o risco de contaminação entre dentro da empresa. No caso dos caminhoneiros, que viajam por todos os lugares, isso é primordial. Também nas entradas de colaboradores e terceiros instalamos câmaras termográficas. Caso alguma alteração seja detectada, a pessoa não entra na área de produção e é orientada a buscar ajuda médica”, explica Ivana da Silva.

Ivana da Silva: primeiro passo é garantir a saúde | Crédito: Divulgação

Lá dentro o uso de máscaras é obrigatório, sendo passível de advertência a desobediência. Além disso, houve reforço na rotina de higienização de portas, maçanetas, banheiros e outros ambientes. O refeitório ganhou mesas com separação de acrílico e todas as dependências foram sinalizadas com marcações de espaçamento entre as pessoas e orientação de boas práticas sanitárias.

“Percebemos que os funcionários se sentem mais seguros na companhia. O presidente faz questão de convocar a todos para uma videochamada periódica que ele batizou de ‘chamada para o combate’, conclamando os gestores para esse rigor nas medidas de proteção. É claro que existem dificuldades, as pessoas estão cansadas, mas como empresa não podemos relaxar. Temos responsabilidade sobre o que acontece aqui dentro e também na comunidade”, avalia a gerente-executiva de automação e infraestrutura da Aperam.

Em guarda

Sem tempo a perder, as construtoras também correram para ajustar protocolos de segurança e garantir a integridade das suas equipes em um momento de aumento de demanda. Como grande vantagem, está o fato de trabalhar em espaços abertos. Um dos maiores desafios é o uso intensivo de mão de obra que, em boa medida, é menos escolarizada e vem de classes economicamente mais frágeis.

No comando de 22 mil empregados nos canteiros de obras, o diretor de Produção da MRV, Túlio Pereira Barbosa, não tem dúvida que a rapidez na adoção de protocolos de segurança sanitária evitou muitos problemas. Em um ano de pandemia, a empresa registrou apenas dois óbitos por Covid-19 na equipe. O afastamento imediato das pessoas dos grupos de risco, grávidas e lactantes do dia a dia da empresa também ajudou a controlar os riscos de contaminação.

“Fomos muito rápidos em entender o momento e nos precaver, conciliando trabalho, saúde e segurança. O primeiro ponto foi a conscientização. Fazemos reuniões diárias para instruir sobre as precauções. Começamos com atos que são simples, mas de grande valia: fornecimento de kits de higiene, máscaras e cartilhas com orientação sobre a doença e os cuidados obrigatórios. Só entra no canteiro de obra quem tiver a temperatura aferida previamente. Rapidamente mudamos o posicionamento para higienização de pés e mãos. E tomamos medidas internas, durante o turno de trabalho, como a divisão dos horários de alimentação para evitar aglomerações”, enumera Barbosa.

Passado um ano das primeiras medidas, o momento é de muita apreensão – com a escalada de casos e óbitos a partir de janeiro – e reforço no trabalho de conscientização. Apesar do óbvio aumento de custos, todo o esforço vale a pena sob o ponto de vista humano, de imagem e também financeiro.

“Também implantamos um sistema de telemedicina para colaboradores, terceiros e familiares; um sistema de SMS com informações sobre o tema e uma plataforma on-line de autodeclaração para relato de suspeita da doença. Enquanto a vacina não chega para todos, a melhor forma de combate é a prevenção. A ordem é não baixar a guarda. Não encontramos resistências. A adesão foi rápida pelo trabalho de conscientização. Imaginamos que teremos um legado dessa pandemia, como o uso da máscara, um hábito entre os orientais, ele vai fazer parte do nosso dia a dia, por exemplo. Existe um aumento de custos, mas acaba fechando a equação quando deixamos de ter outros custos que tínhamos antes e, principalmente, deixando de afastar funcionários. Além disso, tem um custo moral em um clima não saudável e de apreensão. Trabalhamos muito para evitar que isso aconteça”, completa o diretor de Produção da MRV.

No Polo Automotivo Fiat, em Betim, todos os funcionários da planta recebem três máscaras para troca de três em três horas | Crédito: Leo Lara/Studio Cerri

Evitar a contaminação é desafio diário

A pandemia impôs um novo jeito de viver e produzir. Empresas ao redor do mundo mandaram suas equipes administrativas e de back office para casa e implantaram estruturas de teletrabalho. Nas indústrias, porém, a alma do negócio – as linhas de produção – não existe sem a presença física de pessoas. Mesmo nas mais automatizadas, em algum momento é fundamental a presença de um número mínimo de profissionais. Trabalhar as medidas de isolamento social e rígidos protocolos de segurança sanitária para proteger a integridade física dos colaboradores foi e ainda é um desafio para todas elas.

Na planta da Maricota Alimentos, instalada em Luz, na região Centro-Oeste, são 400 colaboradores com as rotinas alteradas. De acordo com o gerente industrial da Maricota Alimentos, WalissonTorjó de Oliveira, a primeira providência foi suspender visitas, eventos externos e grandes treinamentos.

“Reforçamos as barreiras sanitárias. Alternamos turnos de produção e fluxos de linhas para distanciar as pessoas nas entradas, refeitórios e saídas. Desligamos as catracas dos refeitórios para as pessoas não colocarem a mão em nada. E, ainda, estabelecemos o uso constante de máscaras, álcool em gel e lavagem das mãos a cada uma hora. Como uma indústria de alimentos, já tínhamos regras sanitárias rígidas, mas com a Covid-19 houve um reforço”, enumera Oliveira.

Outra ação importante adotada é a testagem regular da equipe. Ao identificar qualquer suspeita da doença, a equipe daquela linha de operação é desmobilizada e monitorada. Para evitar a paralisação da operação, a empresa aumentou a equipe em 7%, como forma de backup.

“A empresa comprou kits e testou toda a produção. É uma segurança para não deixarmos a doença se disseminar. Se uma pessoa pegou, conseguimos testar a linha inteira. Ainda não precisamos trocar funcionários. Isso tem um efeito multiplicador para a cidade, protegemos nossos funcionários e, indiretamente, também a família deles. Claro que tudo isso tem um custo, mas que é compensado pela tranquilidade de termos nossos funcionários saudáveis, produtivos e também pelo aumento do consumo das nossas categorias de produtos”, pontua o gerente industrial da Maricota Alimentos.

Layout dos postos de trabalho nas linhas de produção do polo automotivo foi modificado | Crédito: Leo Lara/Studio Cerri

Responsabilidade compartilhada

Em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o Polo Automotivo Fiat – braço da Stellantis – se vale de estudos e benchmarks globais para instituir seu plano de ação. Segundo o gerente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da Stellantis, Neylor Bastos, as medidas são apoiadas em contínuas ações de treinamentos e orientações dos empregados e no monitoramento, por meio de um sistema on-line de autoavaliação e prevenção, seguido de ampla testagem.

“Através de um aplicativo, o próprio trabalhador anota suas condições gerais de saúde e bem-estar, além de informar se teve contato com algum caso suspeito ou confirmado de Covid-19. Essas informações ajudam a mapear potenciais casos que demandem acompanhamento específico do time de Saúde”, afirma Bastos.

Tudo começa antes da chegada do trabalhador à fábrica. Para acessar o ônibus, é obrigatório o uso de máscara, face shield e apresentação da autoavaliação de saúde. Lá dentro, um profissional treinado garante que todos tenham preenchido a autoavaliação e estejam utilizando os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.

As portarias possuem tapetes sanitizantes, além de câmeras termográficas e termômetros para medição da temperatura corporal. Ali todos recebem três máscaras para troca de três em três horas. Além disso, o layout dos postos de trabalho nas linhas de produção foi modificado, com adoção de barreiras físicas como placas de acrílico. Elas também foram instaladas nas mesas dos restaurantes. Luvas descartáveis são distribuídas para os empregados se servirem. Sinalizações indicam a forma adequada de formar filas em áreas comuns, como nos relógios de registro de ponto, pontos de ônibus, restaurantes, banheiros e vestiários.

“Uma força-tarefa realiza rondas periódicas ao longo da jornada de trabalho na fábrica para garantir que os procedimentos de segurança sejam respeitados por todos”, assegura o gerente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da Stellantis.

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