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Pandemia “tira de cena” os viciados em trabalho

“Se desligar” é aspecto valorizado

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Crédito: Divulgação

A tradução direta do inglês para workaholic é bem simples: “viciado em trabalho”. A figura que se tornou popular na metade do século passado como aquele que vive para o trabalho, fazendo hora extra e sem férias, parece estar “caindo em desuso”.

A pandemia – e a sensação de morte iminente – levou trabalhadores e empresas a refletirem sobre a necessidade de um equilíbrio melhor entre o trabalho e outros aspectos da vida, evitando assim o adoecimento e as perdas de produtividade.

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As lideranças já não exigem e tão pouco veem com bons olhos colaboradores que nunca desligam. E esses mesmos profissionais já não parecem tão dispostos a encaixar a vida no trabalho como já foi normal e até desejável em um passado bastante recente.

De acordo com o CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, David Braga, a crise econômica fez com que nos últimos anos as empresas buscassem reduzir as estruturas e ao mesmo tempo aumentar o resultado. A solução foi aplicar mais tecnologia que, em tese, deveria liberar o trabalhador das tarefas repetitivas para que ele pudesse investir mais tempo em atendimento, criatividade e atuar com empatia.

“Paradoxalmente ao desemprego que vivemos no Brasil, é cada vez mais difícil conseguir bons talentos. Com o cliente mais exigente e a concorrência mais globalizada, todo mundo está trabalhando mais. Mas, por outro lado, agora o profissional também decide sobre a sua carreira, não apenas a empresa. O poder está repartido com o colaborador. Com a pandemia – a morte muito mais latente – é factível que as pessoas tenham feito uma reflexão sobre o valor da vida e do que estão fazendo. Elas estão buscando empresas com gestão humanizada”, explica Braga.

Para a presidente do Conselho da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) e diretora-regional da Predictive Index (PI), Eliane Ramos, chegamos ao fim do “mito do herói”, do trabalhador que dá conta de tudo sozinho.




“Aprendemos que o super herói funciona melhor em equipe. É papel do RH e dos gestores mostrar que esse equilíbrio é bom. Você produz também nas pausas, com a geração de ideias. Uma liderança mais consciente leva as pessoas a se sentirem mais respeitadas, autônomas e produtivas. É importante que o exemplo venha de cima. É tentar sair no horário combinado, mandar whatsapp em horários regulares, tirar férias e desligar realmente. E, do lado do profissional, saber estabelecer limites. Não dá para delegar o comando da carreira para os outros”, pontua Eliane Ramos.

O vício em trabalho, porém, pode mesmo estar relacionado a um adoecimento mental e ser classificado como um tipo de compulsão. Segundo o psicólogo clínico da Psicólogos BH, Felipe Swerts, a compulsão diz respeito à incapacidade de dizer não a algo, no caso ao trabalho. Quadro passível de ser tratado com psicoterapia e também medicamentos como antidepressivos a antiansiolíticos, sob avaliação e recomendação de um psiquiatra.

“A pessoa se torna monotemática, tudo gira em torno do trabalho. Ela não consegue se desconectar. É comum ser a primeira a chegar e a última a sair do trabalho. Após o horário está sempre disponível e checando celular e e-mail. O trabalho é prioridade máxima, abusando das horas extras, preferindo trabalhar a realizar outras atividades. Causando um empobrecimento das demais áreas da vida como a esfera afetiva, social e do lazer”, define Swerts.

Segundo a psicóloga e psicanalista Sônia Eustáquia da Fonseca, as empresas podem agir para minimizar e evitar quadros assim, mudando também o comportamento das lideranças.

“Se a empresa não valorizar o comportamento ‘workaholic’ e distribuir com racionalidade as tarefas entre os profissionais, já estará atuando para um ambiente mais saudável. A ideia é valorizar a qualidade e não a quantidade de trabalho”, pontua Sônia Eustáquia da Fonseca.

Se ainda não for o completo desaparecimento dos workaholics, visto que algumas pessoas têm no trabalho verdadeiramente o ponto principal das suas vidas sem que isso signifique um prejuízo para as demais relações ou um sofrimento, o sócio e diretor-executivo da Tailor, Bruno da Matta Machado, destaca que a pandemia impôs uma relação mais transparente e franca entre líder e equipe, desmontando velhos artifícios de comando e controle utilizados pelas empresas, especialmente a partir da adoção massiva do home office.




“Já vínhamos falando disso antes da pandemia, mas ainda era um discurso bastante dissociado da prática na maioria das empresas. Na pandemia as empresas precisaram cuidar efetivamente dos seus colaboradores. E entre os profissionais houve uma grande reflexão. As pessoas estão valorizando mais onde e com quem estão gastando o seu tempo. ‘Workaholic’ tinha virado um adjetivo, um comportamento valorizado pela empresa. O home office mudou essa dinâmica. Quando tiramos o físico e o elemento visual de pseudo-trabalho, começamos, de fato, a fazer o que é essencial dentro do tempo combinado. O teatro corporativo perdeu o palco. Vejo isso partindo da liderança. Se meu chefe virava a noite, eu imitava o comportamento. Se ele muda, a equipe muda também. Tiramos os mecanismos de controle e surgiram adultos capazes de se autogerenciar. O papel da liderança é dar condição para a sua equipe ser adulta, gerando mais produtividade e resultados no fim do dia”, avalia Machado.

Nesse sentido, outro lugar-comum do mundo corporativo também está sendo revisado: o “sair da zona de conforto”. Entendido como desafio, não há nada de errado com ele, porém quando levado a uma competição exacerbada e que pode colocar em risco a saúde de trabalhadores e equipes, é preciso reavaliar o caminho adotado.

“O trabalho não precisa ser o seu paraíso, mas não pode ser o seu calvário. Os desafios nos fazem crescer, mas não devem ser a única régua do nosso sucesso. O profissional precisa saber o que ele espera do trabalho, o que é, mesmo, um valor para ele. Para muita gente é um desejo ser um diretor, por exemplo, para outras pessoas, não. Ela se realiza em uma função operacional. Não há nada de errado com nenhuma das duas. Não precisa inventar todo dia, faça o seu bem feito e aproveite as oportunidades de ir além e se destacar. É importante ter em mente o que você quer e não o que querem que você faça”, aconselha o diretor-executivo da Tailor.

“É importante ter autoconhecimento para assumir o direcionamento da própria carreira. É preciso policiar a cultura do ‘tudo para ontem’ e acionar capacidades como argumentação, negociação e empatia. Felicidade no trabalho não é a ausência de problemas, mas é não ter só problemas. A mudança de cultura começa de cima para baixo. As lideranças precisam dar o exemplo. Isso é assunto de governança corporativa. Todo o sistema é penalizado por uma liderança tóxica. Trabalhadores saudáveis e equilibrados são mais produtivos e trazem melhores resultados para as empresas e toda a economia”, completa o CEO da Prime Talent.

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