Pets ganham espaço nas famílias e mudam mercado imobiliário

Aquisição crescente de animais de estimação redefine projetos de moradia com áreas como Pet Place e Pet Care
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Pets ganham espaço nas famílias e mudam mercado imobiliário
Espaço para pets em empreendimento da Direcional oferece área para os animais brincarem e se exercitarem | Foto: Divulgação Grupo Direcional

A relação das famílias com os animais de estimação mudou e já produz reflexos em diferentes segmentos da economia. No mercado imobiliário, a presença dos pets dentro de casa passou a ser considerada na concepção de novos empreendimentos, com a criação de espaços específicos para que cães e outros animais possam brincar, se exercitar e receber cuidados.

Em Minas Gerais, o movimento ganha dimensão diante do tamanho do mercado pet. O Estado tem mais de 18 milhões de animais de estimação, o equivalente a 11% da população pet brasileira. Em 2024, dados mais atuais, o setor movimentou R$ 7,3 bilhões no Estado, cerca de 10% do faturamento nacional. São quase 8 milhões de cães e 4,6 milhões de gatos, além de aves e peixes, atendidos por mais de 6 mil lojas e 500 clínicas especializadas.

No Brasil, são 160,9 milhões de pets. O País é o terceiro principal mercado pet do mundo, com participação de 5,4% em 2024. Esse cenário ajuda a explicar por que os animais passaram a ser considerados também na escolha e na configuração da moradia.

Um exemplo dessa transformação é o Grupo Direcional. A empresa lançou 43 empreendimentos com Pet Place em 2025. Este ano, já são 46 lançamentos e a previsão é chegar a 66 até o fim do ano. Do total estimado, 53 empreendimentos deverão contar com espaços destinados aos animais.

Segundo a gerente de desenvolvimento de produtos do Grupo Direcional, Carolina Bozolla, a decisão de incorporar esses ambientes surgiu a partir da percepção de uma mudança no comportamento dos consumidores. A empresa passou a receber avaliações positivas de clientes e corretores e também identificou a tendência no mercado. “A gente foi percebendo que realmente, a quantidade de famílias que tem um pet em casa é muito grande hoje em dia e que ele faz parte da família”, afirma a gerente.

Ela explica que a presença dos animais independe do padrão do projeto. Por isso, a companhia trabalha com a premissa de incluir o espaço em todos os projetos em que houver condições físicas para sua implantação. “A gente tenta colocar em 100% dos nossos empreendimentos. Quando a gente não coloca é porque às vezes não tem espaço físico”, diz.

A mudança também está relacionada à rotina das famílias e às limitações para circulação dos animais nas áreas comuns dos condomínios. O Pet Place permite que o animal tenha uma área própria para brincar e se exercitar, sem depender de deslocamentos para fora da residência. “Ele faz parte da família, então, pensamos que seria interessante a gente ter esse espaço para esse membro”, destaca Carolina Bozolla.

Espaços vão além do lazer

Os projetos desenvolvidos pela Direcional também mostram que a presença dos pets começa a influenciar a própria estrutura dos condomínios. Além do Pet Place, alguns empreendimentos contam com o chamado Pet Care, ambiente destinado ao banho e aos cuidados dos animais.

Nos empreendimentos de padrão mais elevado, o espaço pode ser instalado dentro da torre, com bancada para banho e equipamentos para secagem. Em projetos de padrão mais acessível, a estrutura pode ser incorporada ao próprio Pet Place.

A empresa também busca reduzir possíveis impactos da convivência entre animais e demais moradores. Os espaços são planejados em locais considerados mais adequados dentro da implantação dos condomínios. Para a coleta de dejetos, são disponibilizadas lixeiras e saquinhos, enquanto a responsabilidade pela limpeza dos animais permanece com seus tutores.

Segundo Carolina Bozolla, a criação do Pet Place não representa um peso relevante no custo do empreendimento. “Enquanto item de lazer, ele não é um item dos mais caros. Então ele realmente não onera e tem um custo-benefício muito bom”, conta.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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