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Quebra de paradigmas em Senador Mourão

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Leal vem buscando levar conhecimentos da ciência e do mercado a esses trabalhadores e à comunidade | Crédito: Divulgação
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Luiz Gonzaga Pereira, de 60 anos, conhecido como Baianinho, é nascido e criado no meio do garimpo, atividade que há mais de três séculos é realidade no distrito de Senador Mourão, em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. “Meu bisavô, meu avô e meu pai eram garimpeiros. Me criei nesse meio, no trabalho árduo, vendendo o almoço pra comprar a janta. Eu mal aprendi a assinar meu nome”. 

Mas, hoje, Pereira mudou a concepção do ofício que escolheu para a vida. “Sei que posso mudar o rumo dessa história que vem lá de trás, e pretendo deixar uma herança diferente para os meus filhos e netos”, diz, orgulhoso, ao se referir à cooperativa de produtores de cristal que ele está ajudando a criar no distrito.

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A Coopercristal, que hoje reúne 65 associados, saiu do campo das ideias em 2016, quando, através de um aluno e do padre da comunidade, o mestre em geologia econômica, doutor em engenharia dos materiais e pós-doutor em cristaloquímica, José Maria Leal, chegou ao distrito de Senador Mourão.

“No distrito, há muita carência e falta de empregos formais. Conheci ali pessoas que mineravam de forma pouco profissional, e que vendiam o que conseguiam bem abaixo do valor de mercado, de forma clandestina. Eles precisavam de orientação para mudar aquela realidade”, ressaltou Leal, que é professor do curso de engenharia geológica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Em um trabalho de extensão pela universidade, Leal vem buscando levar conhecimentos da ciência e do mercado a esses trabalhadores e à comunidade. O objetivo é organizar um arranjo produtivo local (APL) e, consequentemente, mudar o cenário paradoxal de riqueza das pedras, mas de pobreza da comunidade. 

Trabalho de formiguinha

No início, conta ele, foi um trabalho de formiguinha. “Tivemos de convencer as pessoas, muitas vezes de forma individual, de que o trabalho delas poderia ser feito de outra forma, com menos impacto ambiental e de forma mais organizada, gerando um produto de maior valor agregado. Explicamos que para isso elas precisariam se unir e se qualificar”.

Foram realizadas palestras tanto sobre a área técnica de lapidação e aproveitamento dos cristais, quanto da área mercadológica e jurídica. “É uma quebra de paradigmas. É mudar uma concepção do garimpo clandestino e de exploração que se formou através dos séculos. Estamos tentando mostrar a todos que, unidos, eles podem se organizar e gerar mais renda”.

Aos poucos a cooperativa está sendo organizada. Já tem local definido, maquinário cedido pela universidade e o mais importante, os associados. Muitos deles já fizeram cursos de cooperativismo, de gemologia e conceitos e práticas de lapidação. 

Ainda não há uma estimativa de produção anual, mas, o primeiro passo, assim que a documentação estiver finalizada, será a qualificação nas áreas de geologia, mineração, meio ambiente, legislação mineral, aproveitamento de rejeitos e suas aplicações industriais, design de joias, exportação, entre outros.

Como associado, Baianinho está empolgadíssimo. “Percebi que podemos lapidar e tratar nosso produto melhor, aproveitar materiais que seriam descartados e vender por um valor acima do que a gente estava acostumado. Como somos muitos, podemos atender encomendas maiores e vender para clientes até de outros países, tudo dentro da legalidade e preservando o meio ambiente. Hoje, não somos mais garimpeiros, somos trabalhadores minerários e com muito orgulho!”.

Uma feira para conscientizar a população

A cooperativa de cristais que o professor José Maria Leal está ajudando a organizar no distrito de Senador Mourão é só o primeiro passo para um projeto maior, mas ainda no campo das ideias: um grande arranjo produtivo da mineração no Vale do Jequitinhonha. 

“O desenvolvimento vai onde há desenvolvimento. Para atrair empresas para a região, é preciso que os governos invistam mais em infraestrutura, com melhores estradas e saneamento. Aqui há condições de formar mão de obra qualificada, mas as pessoas precisam de oportunidades de trabalho”, observa.

Como parte desse projeto ainda maior, o professor vem realizando há alguns anos uma feira em Diamantina, na qual são expostos todos os tipos de minerais da região e explicadas suas potencialidades. Sem grandes patrocinadores, Leal tem realizado o evento com recursos próprios e com a boa vontade da comunidade.

“A população vai, aos poucos, se conscientizando da riqueza que o lugar possui e, desde criança, ao participar de uma feira dessas, entendendo o conceito de que aquilo ali pode significar desenvolvimento para o Vale do Jequitinhonha”. Desde o ano passado, em função da pandemia de Covid-19, a feira não é realizada.

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