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Rejeito de lítio pode virar matéria-prima para porcelanato em Minas

Estudo em Minas Gerais aponta uso de rejeitos de lítio na produção de porcelanatos e avalia viabilidade técnica e econômica.
Rejeito de lítio pode virar matéria-prima para porcelanato em Minas
Foto: Divulgação/Universidade Federal de Alfenas

A destinação dos grandes volumes de rejeitos gerados após a extração mineral é um desafio, e uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) vem buscando alternativas para transformar esses rejeitos em matéria-prima para a fabricação de produtos de valor agregado. A ideia é utilizar os rejeitos para a produção de porcelanatos e outros produtos cerâmicos nobres.

O estudo “Caracterização e Valorização de Rejeitos de Pegmatitos da Mina de Volta Grande, em Nazareno, região Central de Minas Gerais, para Produção de Porcelanatos Nobres” é parte da dissertação de mestrado da pesquisadora Carolina Mendes Gonçalves, desenvolvida sob a orientação e coorientação dos docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) Carolina Del Roveri e Matheus Fernando Ancelmi.

A pesquisa analisou rejeitos sólidos vindos da Mina de Volta Grande, que atua no segmento de minerais críticos e busca adequar os resíduos para uso na indústria cerâmica. As amostras de rejeitos foram coletadas e submetidas a testes de laboratório, incluindo secagem, peneiramento e separação magnética para remoção de óxidos de ferro.

A coordenadora do projeto, Carolina Del Roveri, explica que, em 2023, uma indústria do setor buscou a universidade para dar uma destinação sustentável e agregar valor ao rejeito de lítio.

“A indústria tinha um rejeito de lítio à disposição e gostaria de agregar valor. Isso envolve a questão ambiental e também o interesse em ter o produto trabalhando de forma mais assertiva na economia circular. Então, a importância desse estudo está relacionada ao manejo correto desse rejeito, aliás, não só desse, mas de outros rejeitos vindos da mineração. Nosso objetivo é dar uma finalidade que tenha impacto econômico, social e ambiental, revertendo benefícios para a sociedade”.

O rejeito de lítio estudado tem características que o aproximam de matérias-primas já utilizadas pela indústria cerâmica para fabricação de porcelanato. Os testes realizados em escala laboratorial apresentaram boas perspectivas, e a ideia é evoluir para testes maiores.

“A gente resolveu iniciar os testes em escala de laboratório e, até o momento, os resultados são bastante promissores. Estamos na etapa de medição de coloração para verificar se essas matérias-primas têm um desempenho equivalente ao que já é utilizado no mercado. Vamos concluir a pesquisa do mestrado no meio do ano, com os encaminhamentos para possíveis aumentos de escala. O objetivo, diante dos resultados positivos, é avançar para um piloto semi-industrial”.

Na próxima etapa, será feita a validação tecnológica desses rejeitos na formulação de cerâmica branca. Nessa fase, serão observadas características como a brancura e a fundência do material para comprovar a substituição técnica de matérias-primas convencionais. A pesquisa também busca avaliar a viabilidade econômica da aplicação desses rejeitos, analisando os custos de processamento e os benefícios associados ao aproveitamento.

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