Além das decorações de Natal espalhadas por Belo Horizonte e pelas liquidações da black friday, o final de ano também tem uma terceira face: é conhecido pelo grande movimento nos bares e restaurantes, em virtude das confraternizações corporativas, vistas por muitos empresários como o ‘13º salário’ do setor.

Depois dos últimos três anos, marcados por crise e contenção de despesas, que causaram redução nas ‘festas das firmas’, o sol parece ter voltado a brilhar para o Natal de 2019. A estimativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) é de que a busca por este tipo de comemoração cresça de 8 a 10% na comparação com o mesmo período de 2018.

“A palavra de ordem para os empresários do setor não perderem contratos atrativos nesta época é sagacidade”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Rodrigues. Para isso, vale trabalhar, não só, com pacotes prontos e atrativos, como também saber personalizar, principalmente quando o contratante está com o bolso apertado. “Essa é a hora do dono do restaurante apresentar condições que cabem no orçamento do cliente, como por exemplo, descontos especiais, parcelamento ou mudanças no cardápio que se adéquem ao valor real que ele pode pagar”, destaca Rodrigues.

É justamente essa a postura do empresário Fabrício Lana, proprietário do restaurante Boi Vitório, no bairro Mangabeiras, que nesta época de confraternizações é bastante procurado por empresas de pequeno/médio porte e, também, por grupos de amigos. “Se, por exemplo, o cliente preferir um pacote só com petiscos, a casa oferece. Caso sua escolha seja open bar ou comida e bebida inclusos, também atendemos”. Graças a essa flexibilização, a casa, conhecida por um extenso cardápio de carnes nobres, porções e cervejas artesanais, prevê um aumento de 10 a 12% no faturamento, só em dezembro, em relação a um mês atípico. “Já fomos procurados por 30 [empresas]. Dessas, 15 já fecharam contrato”, ressalta.

Outro estabelecimento que, assim como o Boi Vitório, espera ‘engordar’ o caixa neste período à la jingle bells é a churrascaria Baby Beef BH, no bairro União, na região Nordeste. A unidade, localizada ao lado do Minas Shopping, deve servir, entre os dias 1º e 31 de dezembro, de 22 a 26 mil rodízios – em um mês atípico esse número fica na casa dos 18 mil -, do qual fazem parte quase 30 cortes tradicionais e nobres, entre eles picanha, costela premium e alcatra com queijo. Com isso, o faturamento no ‘mês 12’, segundo o sócio-proprietário, Yago Furlan, deve ter uma média de aumento de 25 a 30% em relação aos demais [meses].

Para fisgar não só o paladar, mas principalmente o bolso dos donos de empresas, a casa trabalha com seis tabelas diversificadas em diferentes dias. Os pacotes variam de R$ 125 a R$ 160 por pessoa. “O mais acessível inclui rodízio e duas horas de bebida liberada (água, refrigerante e suco). Já o que contempla uma experiência mais completa oferece, além do rodízio e das bebidas do pacote 1, o acréscimo de chope, coquetel de frutas, caipirinha e uma sobremesa”, explica Furlan.

Condições especiais para atrair os aficionados por carne também é a aposta da unidade no bairro São Bento, o Baby Beef Steakhouse, que preparou pacotes para grupos a partir de 10 pessoas com reservas antecipadas. “Quanto mais pessoas, maior será o desconto. Os dias da semana também influenciam no preço, sendo que no início [da semana] os valores são mais enxutos”, explica o diretor da casa, Maurício Serva. Os pacotes, com rodízio e bebidas diversas, variam de R$ 120 a R$ 180 por cliente. Há ainda a opção sem bebidas por R$ 89,90.

A estimativa da unidade é servir, durante o mês de festas, 13 mil rodízios, crescimento de 50% na comparação com os demais, quando são vendidos quase 8,7 mil. Por causa dessa demanda, o estabelecimento, que fora do período de fim de ano, conta com 85 funcionários, já aumentou o quadro em 15%. “Estamos treinando 13 novos colaboradores desde outubro para garantir a qualidade do nosso atendimento”, revela Serva. A maioria deles atuará no atendimento, como garçons ou passadores de carnes.

Open bar – O Redentor Savassi, por sua vez, tem como chamariz um pacote com três horas e meia de open bar de chope, caipirinha, caipivodka, caipifruta, suco, Ice Tea, refrigerantes e cerveja sem álcool. O cliente pode desfrutar ainda de um menu com entrada, três opções de petiscos e duas [opções] de pratos principais. Os preços variam de R$ 100 a R$ 120 por cliente para grupos acima de 15 pessoas.

Segundo o sócio do bar, Daniel Ribeiro, pelo fato do estabelecimento estar localizado no coração da Savassi, região onde se concentram muitos escritórios, ele se torna, naturalmente, a opção para as festas corporativas, principalmente os happy-hours e encontros de amigos. “Nossa estimativa de crescimento do faturamento em dezembro, na comparação com os demais meses, é de 20%”, revela o empresário. (Da Redação)

Natal e Réveillon aquecem negócios de buffets

O Buffet Fora do Comum, no bairro Gutierrez, na região Oeste de Belo Horizonte, oferece um menu especial para o Natal, destinado às famílias que não abrem mão de se reunirem à mesa na noite de 24 para 25 de dezembro, mas não querem ter o trabalho de preparar a comida. O cardápio inclui oito opções de entradas, três [opções] de grãos acompanhados de farofa natalina, seis tipos de carnes, quatro versões de massas e molhos, além de duas sobremesas.

“Todos os pratos servem até 10 pessoas e a escolha de quais itens levar para a mesa, entretanto, fica a critério do cliente”, afirma a administradora do buffet, Camila Bitencourt. A expectativa, segundo a empresária, é de um crescimento de aproximadamente 10% na busca do público pelos pratos deste cardápio em relação ao Natal de 2018. Algumas das opções deste menu são o quiche de cogumelos, confit cítrico de pato, cheesecake de gorgonzola com pecã e figos, além dos tradicionais peru natalino e tender rústico com chutney de manga.

Já a chef pâtissier Elisa Dayrell, da Espetacular Doceria, localizada no bairro Funcionários, espera que as vendas de Natal cresçam 50% quando comparadas ao mesmo período do ano passado. A loja preparou para o fim de ano um cardápio com opções para compartilhar e presentear, inspirado nas receitas francesas e no chocolate ruby, marcado pela cor naturalmente rosa, sem a adição de corantes ou conservantes.

Um dos clássicos da chef é o chocotone [massa elaborada com notas de chocolate, recheado com ganache de chocolate belga e pedaços crocantes de macarons]. A previsão de Elisa Dayrell é vender 300 unidades, 25% a mais que no Natal de 2018. Para atingir a meta, a empresária já trabalha com dois funcionários temporários e pretende iniciar dezembro com mais dois no atendimento e na cozinha. (Da Redação)