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Ainda as milenares estultícias

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Crédito: Pixabay

Cesar Vanucci*

“Mulher (…) é uma graça” (Livro dos Cantares, século VI, a.C)

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As estultices milenares, muitas delas retiradas de textos ditos sagrados, enfeixadas em recente comentário (DC, 7.3) referentes às distorcidas avaliações ao longo dos tempos, em diferentes culturas, do papel da mulher na caminhada humana fizeram chover manifestações. Era de esperar.

De perplexidade, parte delas. Caso do Pedro de Paula: “Quanta babaquice amontoada, santo Deus! Como levar a sério o que esses caras famosos pregavam pra gente?” De incredulidade, noutros casos. Andréa Cecconie, por exemplo, avisa que vai conferir a veracidade do que foi anotado na conta de afirmações pertencentes a pensadores eminentes, tipo Paulo de Tarso, Maomé, Lutero. “Não é possível que esse pessoal todo junto tivesse da mulher conceito tão ridículo e humilhante”, repica, em sua vez de falar, Thelma Garcia.

“E o tal “tratado de conduta moral e costumes da França”, adotado no século XIV, que delegou aos machos o direito de exemplar com sopapos e pontapés as mulheres que ousassem repreendê-los em público, coisa mais maluca!”, reage, a seu turno, Hirand Ferreira. O próprio leitor faz menção a um dito atribuído a Nietzsche, em que tanto a mulher quanto o homem são alvejados em cheio na avaliação pessimista que o filósofo alemão tinha da condição humana: “A mulher foi o segundo erro de Deus!”

Mas, a exemplo do que ocorre noutras reações suscitadas pelo artigo “Ignomínias milenares”, junta para apreciação dos frequentadores deste espaço de ideias e quimeras outras frases mais, também de celebridades, que servem, de certo modo, para contrabalançar o amontoado de asnices (acerca da mulher) pratrazmente registrado. Uma dessas frases: “O palpite de uma mulher é muito mais preciso que a certeza de um homem”, de ninguém nada mais, nada menos que Rudyard Kipling, o poeta do célebre “Se”. Um intelectual iluminado que, ao traçar o perfil ideal do ser humano, bolou esse primor de verso: “Se podes conservar a fé, quando à tua volta, atribuindo-te a culpa, os outros a perderam. Se, confiando em ti mesmo, aceitas sem revolta que duvidem de ti os que não te entenderam (…), és um homem!”

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Patrícia Alvim é outra que toma conhecimento dos “escritos milenares” e não gosta nadica de nada do que dizem. Contrapõe às chovinistas afirmações meigos registros brotados em instantes mais inspirados da inteligência humana. Menciona palavras do poeta Dante Milano (1899), já registradas neste espaço: “Tirante a mulher, o resto é paisagem”. A leitora faz outra anotação: “Mulher bela é uma graça: espanta melancolias, consola mágoas de amor”, trecho também milenar extraído do “Livro dos Cantares”, conhecido no século VI a.C.

Houve, também, quem me encaminhasse, a propósito do (sempre) fascinante tema, um sugestivo poema. De autoria de Lucinete Vieira, reproduzido na sequência, o poema diz o seguinte: “Nada mais contraditório do que ser mulher… / Mulher que pensa com o coração, / age pela emoção e vence pelo amor. / Que vive milhões de emoções num só dia / e transmite cada uma delas, num único olhar. / Que cobra de si a perfeição / e vive arrumando desculpas / para os erros daqueles a quem ama. / Que hospeda no ventre outras almas, / dá a luz e depois fica cega, / diante da beleza dos filhos que gerou. / Que dá as asas, ensina a voar / mas não quer ver partir os pássaros, / mesmo sabendo que eles não lhe pertencem. / Que se enfeita toda e perfuma o leito, / ainda que seu amor / nem perceba mais tais detalhes. / Que como uma feiticeira / transforma em luz e sorriso / as dores que sente na alma, / só pra ninguém notar. / E ainda tem que ser forte, / pra dar os ombros / para quem neles precise chorar. / Feliz do homem que por um dia / souber entender a Alma da Mulher!”

*Jornalista (cantonius1 @yahoo.com.br)

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