Reinaldo A. Moura*

No dia 6 de junho comemora-se o Dia da Logística e em plena pandemia do Covid-19, nada temos a comparar com a data do desembarque dos aliados no final da Segunda Guerra Mundial.

Com um total desequilíbrio entre oferta e demanda de todos os insumos nas cadeias de suprimentos, em especial com uma paradeira da maioria dos veículos de transporte, o abastecimento ao consumidor final na denominada “last mile”, não ficou sem atendimento e passou a puxar todos os elos da cadeia.

Impedidos de circulação no comércio, exceto para adquirir itens essenciais, os consumidores passaram a fazer uso cada vez mais dos serviços de entrega porta-a-porta ou delivery, e o meio digital foi fundamental para isto. Imagine-se há duas décadas os mesmos serviços sendo atendidos pelos serviços de tele-entregas! Ou retiradas no ponto de venda? Seria um caos.

Não há o que comemorar, pois muitos destes pontos de venda fecharam as portas e talvez nem voltem a reabrir, mas a logística de entregas ao consumidor final ajudou muito a transformar em plataformas de “e-commerce” de todos os produtos , apoiando o isolamento da população, principalmente nos serviços de saúde, que sem o apoio da logística o apagão seria muito maior.

A grande eliminação dos papéis em romaneios e notas fiscais de entrega com a intensa prática da digitalização contribuiu para evitar o contágio do vírus nas cadeias de abastecimento num regime 24×7.

A logística contribuiu desde o primeiro instante no transporte de insumos para os hospitais, abastecendo desde as nações exportadoras aos centros de distribuição nacionais em verdadeiras operações de guerrilha, os navios deram preferência a cabotagem para garantir o abastecimento na costa brasileira, sem prejuízo as exportações da safras agrícolas que mantêm recordes de produção, aeronaves paradas em solo, cederam espaço nos assentos para o transporte de produtos sensíveis num abastecimento rápido as cadeias hospitalares.

Dentro das fábricas e armazéns tudo começa a se transformar para o novo normal, e a logística está aí contribuindo, desde a higienização de caixas e embalagens com filme plástico, manuseios entre operadores distantes pelo menos 1,5m, paletização para transferência mecânica de cargas, enfim evitando-se o contato humano com o produto e os riscos de contágio e consequentemente propagação da contaminação.

Apesar da queda no ritmo da economia, os galpões logísticos que estavam com elevada taxa de vacância, ganharam novos inquilinos ou expandiram-se com os atuais, motivados pela descompressão e fluidez na separação e entrega dos pedidos.

Os ambientes estão sendo arejados e confinados em muitos casos para que as pessoas e empilhadeiras evitem cruzar os mesmos espaços. As rodas de empilhadeiras passam por superfícies molhadas para higienização e não transpor resíduos de um local a outro.

Todo cuidado é pouco. Recorde-se há semanas que uma segunda onda do Covid-19 na Coreia do Sul teve origem num centro de distribuição. Assim as devoluções (e qualquer atividade da logística reversa), e até mesmo trocas ou experimentação de roupas em magazines, sofrerão um novo protocolo de descontaminação com a reabertura do comercio rumo ao novo normal.

Haverá mais estoque “just in case” do que “just in time (excesso de inventários) nas cadeias de suprimento num retrocesso ao modelo da globalização com fontes únicas praticados nas últimas 4 décadas.

Como se vê, a logística não é tudo, mas tudo depende da logística!

 * Fundador e diretor-presidente do conselho da Imam Consultoria S/A