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Boçalidade, respeito, censura

Conselheiro e assessor do presidente Donald Trump proferiu um verdadeiro acinte contra as mulheres brasileiras
Boçalidade, respeito, censura
Foto: Reprodução Adobe Stock

“Raça maldita”. (Zampolli, assessor misógino de Trump)

1) Mais essa agora

Paolo Zampolli, amigo chegado de Donald Trump, seu conselheiro e assessor especial para assuntos globais, nutrindo fascínio por situações polêmicas, tal qual o chefe, concedeu entrevista a uma emissora italiana focalizando desavenças conjugais com a ex-cara-metade, a modelo brasileira Amanda Ungaro. Sobre a convivência de ambos por quase 20 anos, utilizando vocabulário chulo, afirmou que “as mulheres brasileiras são programadas para fazer confusão”. Acrescentou: “São uma raça maldita”.

O chocante episódio, refletindo conflito marital mal resolvido, dá sonoridade a estereótipos misóginos e xenófobos. No fim das contas, o baba do Zampolli andou confundindo geopolítica com dor de cotovelo. Para quem conviveu tanto tempo com uma “figura maldita”, ele custou muito a se dar conta que o problema não era o passaporte do cônjuge, mas o espelho do banheiro.

2) Megalomania sem volta

Donald Trump assenhoreou-se de vez da crença de haver se tornado monarca imperial. Ética, bom senso, temperança, sensatez, respeito humano: nada disso faz qualquer sentido em sua ambição de poder. Suas decisões são sempre tomadas na base do “eu quero” ou “eu posso”. A escandalosa pressão que vem fazendo para que a Itália substitua o Irã na Copa Mundial de Futebol está deixando o mundo esportivo sem fala. Como sabido, o escrete iraniano classificou-se, entre os asiáticos, para as disputas que, daqui a pouco mais de um mês, serão realizadas nos gramados dos EUA, México e Canadá.

Os italianos, com 4 títulos mundiais, não passou nas eliminatórias pela 3ª vez consecutiva. Trump, recentemente agraciado pela Fifa com o troféu de “Campeão da Paz”, pela 1ª vez conferido a uma personalidade mundial, quer agora, bagunçando o coreto do torneio de futebol, que o Irã abandone a competição e que a Itália assuma seu lugar. A estupefação global que a insólita proposta causou está traduzida na reação do próprio Ministro dos Esportes da Itália, que definiu a manobra como vergonhosa. Ora, veja, pois!

3) Interdição inédita

Javier Milei retorna estrondosamente às manchetes ao proibir a entrada de jornalistas na Casa Rosada. Acusando os meios de comunicação de conspiração contra seu governo, o dirigente portenho cancelou as credenciais dos profissionais incumbidos das coberturas do que rola na cúpula política e administrativa. A interdição é inédita: nem mesmo nos anos de terror da ditadura militar tal medida chegou a ser adotada.

Observadores da política argentina e setores da opinião pública se perguntam: terá Milei consultado, via canal mediúnico, seu finado e leal cão de estimação? Nada de estranheza. O próprio Milei já revelou, em entrevista, haver recorrido inúmeras vezes a esse “providencial contato”, acrescentando que a sabedoria do animal tem-lhe sido proveitosa.

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