Por que hotéis ainda não são a primeira escolha para eventos corporativos
O mercado de eventos corporativos no Brasil está em um momento de expansão. Entre 2024 e 2025, houve aumento de mais de 38% nas propostas de eventos corporativos e de quase 20% na realização efetiva desses encontros, segundo a DataEventos. O segmento tem sido impulsionado por empresas que buscam mais encontros presenciais, integração de equipes e experiências mais completas. Ainda assim, quando um organizador começa a desenhar um evento corporativo, o hotel raramente aparece como primeira opção. A busca vai direto para centros de convenções ou até coworkings com estrutura para apresentações. Mas por que isso acontece?
O hotel ainda é visto, antes de tudo, como lugar de hospedagem. Muitos hotéis têm estrutura, localização e serviços capazes de atender muito bem o mercado de eventos, mas não são percebidos dessa forma porque falta posicionamento institucional e comunicação. Falta uma estratégia clara para disputar a posição de realizador de eventos. Na maioria do setor hoteleiro, o evento fica em último plano, vendido como um serviço complementar.
Só que estamos na era de personalização. O consumidor busca produtos e serviços únicos e especiais. O que um organizador de eventos espera de um hotel é uma solução completa, que reduza deslocamentos, integrando hospedagem, alimentação e programação, ofereça uma ótima experiência para o participante e, ao mesmo tempo, simplifique a vida de quem está contratando.
Por isso, para os hotéis com infraestrutura para eventos, o primeiro passo é se apresentar ao público como um ecossistema completo. Isso significa se comunicar mais com o mercado corporativo, produzir material comercial direcionado, criar argumentos de venda específicos para eventos e deixar claro que sua proposta vai além de um auditório.
Não dá para ficar só na comunicação. O hotel precisa ter uma equipe especializada em eventos, principalmente no departamento Comercial. A negociação para um evento exige escuta, diagnóstico e uma proposta elaborada para cada cliente. Exige um atendimento que mostre a diferença entre oferecer um espaço e entregar uma solução. Sem essa especialização, o hotel perde em competitividade mesmo quando tem uma boa estrutura.
Deixo aqui uma dica para os hotéis que desejam mudar de posicionamento ainda neste ano: de acordo com a DataEventos, os meses de abril, maio, junho e agosto de 2026 são aqueles com maior demanda de eventos corporativos, avaliada pelo número de orçamentos, respectivamente 14,8%, 9,1%, 4,5% e 3,2% do total de eventos orçados (que incluem também os eventos esportivos e comemorativos). A oportunidade está posta. Quem se posicionar agora tem mais chances de entrar no radar dos organizadores de eventos.
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