Opções pelo humanismo, democracia e nacionalismo
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. (Presidente Lula)
Bom discurso, bem escrito e lido. Foi assim que um comentarista da televisão descreveu a impressão deixada pelo pronunciamento do presidente Lula na abertura da ONU. Vou mais longe. Rica em conteúdo humanístico, democrático e nacionalista, a magistral fala do chefe do Governo soube estabelecer fina sintonia com os generosos anseios e sentimentos majoritários da nação. Os calorosos aplausos que entrecortaram as palavras de Lula deram uma medida do grau de aceitação das ideias expendidas no seio da comunidade internacional, representada no evento por governantes graduados de 193 países.
Um item que despertou especial atenção, foi relacionado às guerras sem fim que enodoam a civilização humana. Disse: “O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas. A de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca foi tão baixa.” Pontuou adiante: “Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não tem exército, nem arsenais – nunca foi pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de segurança que não cumpre o seu papel”. Relembrou marcante passagem da participação brasileira nas reuniões anuais. Focou na tese insistentemente abraçada por nossos representantes (sem que se lhes fosse dado ouvidos) quanto ao preço alto que o mundo pagaria pelo direito de veto assegurado às grandes potências em resoluções tomadas pela assembleia. Registrou que “a esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança”. Exemplificou essa indesejável circunstância com anotação de que o ano de 2025 acusou o mais elevado número de conflitos armados desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Reclamou: “Estejamos, neste momento, diante das opções entre multilateralismo ou unilateralismo, entre democracia e extremismo, entre soberania e subordinação”. Reafirmou que o Brasil já fez sua opção pelos valores que conferem dignidade à aventura humana. Enfatizou que a soberania da nação brasileira não cabe no quintal de ninguém.
Lula criticou incisivamente o negacionismo científico. Referiu-se às deletérias campanhas antivacinas que estão trazendo de volta doenças que se supunham erradicadas. Falou ainda das absurdas resistências oferecidas ao enfrentamento estruturado das mudanças climáticas extremas. Aludiu, ainda, ao fato de que somos detentores de abundantes reservas de minerais raros e que a exploração dessa riqueza se destinará, hoje e sempre, a atender necessidades do mundo, beneficiando obviamente nossa gente. Dedicou trecho do pronunciamento aos vertiginosos avanços tecnológicos da atualidade, encarecendo a necessidade de que os governos dos diferentes países portem-se à altura destas conquistas, fixando normas para a regulação adequada desses instrumentos de desenvolvimento e bem estar social.
Uma magistral mensagem, sem dúvida qualquer.
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