Inteligência artificial e o Estado

Tecnologia pode ser decisiva para melhorar processos, elevar a produtividade e impactar positivamente na vida das pessoas
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Inteligência artificial e o Estado
Foto: Reprodução Adobe Stock

Uma pergunta simples deveria orientar as decisões do poder público: estamos facilitando a vida de quem quer produzir ou colocando obstáculos em seu caminho? A inteligência artificial pode ajudar a responder. Mais do que isso, é uma ferramenta decisiva para melhorar processos, aumentar a produtividade, transformar o trabalho e melhorar a vida das pessoas.

Enquanto empresas buscam eficiência, o Estado ainda convive com retrabalho, filas, burocracia, sistemas que não conversam entre si e desperdício de tempo e de recursos públicos. Com a inteligência artificial, os servidores poderiam se dedicar às atividades que realmente exigem habilidade humana. Cruzar dados, identificar inconsistências, antecipar gargalos, acelerar decisões, tudo isso ficaria nas mãos da IA. Ajudaria a proteger o dinheiro do contribuinte, expondo desperdícios, sobrepreços, pagamentos duplicados e fraudes que hoje se escondem no volume da máquina pública.

Sistemas auditáveis reduzem o espaço para favores e decisões arbitrárias; processos rastreáveis mostram quem decidiu e com base em quais informações. Tudo isso exige governança, auditoria e proteção de dados. Empresas brasileiras já criam soluções para saúde, educação, logística, agricultura, indústria e serviços financeiros. O Brasil pode ser protagonista ou simplesmente repetir o erro de regular a tecnologia antes de permitir que ela floresça.

O Congresso Nacional precisa estabelecer parâmetros para o uso responsável da IA e proteger direitos, mas não frear a inovação. Obrigações excessivas, custos desproporcionais e insegurança jurídica podem inviabilizar, por exemplo, startups e pequenos negócios e favorecer apenas grandes empresas. Não é escolha entre inovação e responsabilidade. Na verdade, é ter responsabilidade para que a inovação de fato aconteça.

Cabe ao Estado perguntar como a tecnologia pode melhorar as entregas para o cidadão: reduzir filas, identificar evasão escolar, qualificar compras públicas, analisar contratos, monitorar demandas, simplificar o trabalho de quem empreende. Um Estado eficiente não precisa ser maior, mas deve conhecer seus próprios dados, medir resultados, automatizar o que dispensa intervenção humana. E, acima de tudo, precisa aprender a não atrapalhar. Inovação não nasce de decreto, mas quando alguém identifica um problema, assume um risco e constrói uma solução. Ao Estado cabe garantir regras claras, concorrência e liberdade.

O Congresso terá de escolher se o Brasil seguirá apenas acompanhando a revolução tecnológica ou se criará condições para ser protagonista. A tecnologia deve ajudar o governo a fazer mais com menos e, ao mesmo tempo, abrir espaço para quem quer inovar, em vez de manter uma repartição pronta para dizer que não pode.

Bárbara Botega
Sobre o autor

Bárbara Botega

Advogada, gestora pública e empresária


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