Nunca, jamais…

Voracidade de Vorcaro atingiu praticamente todos os setores e poderes no Brasil no escandaloso caso do Banco Master
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Nunca, jamais…
Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

“Nenhum setor importante da cena pública ficou de fora da tremenda maracutaia.” (Domingos Justino Pinto)

Nunca, jamais, se viu coisa assim! “Arrastão”, lindíssima composição musical de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, relata a história duma pescaria em alto-mar muito bem-sucedida. O “arrastão”, produzido pela voracidade sem escrúpulos do Banco Máster, pegou nas redes, em torvelinho medonho, incontável volume de peixes graúdos.

Nunca, jamais, se viu coisa assim! Falar verdade, nenhum setor importante da cena pública ficou de fora da tremenda maracutaia. Eis-nos, agora, às voltas com crises sumamente desagradáveis, que irão fatalmente deixar lesões profundas no tecido social e na vida política. O futuro há de perguntar, algum dia, como foi possível ocorrer algo assim. O envolvimento, nas engrenagens mafiosas, de tantos personagens “acima de qualquer suspeita” choca e entristece, levando até mesmo desânimo a parcela significativa da coletividade.

O desenho do escândalo recomenda sejam desatados, o mais rapidamente possível, os nós górdios que enlaçam, no momento presente, as apurações em curso visando ao deslindamento amplo, geral e irrestrito de toda a sombria e perversa maquinação.
Cuidemos de repetir: tudo nessa escabrosa história carece ser devidamente aclarado. A sociedade brasileira, tomada de justo inconformismo e desassossego, espera que nenhuma revelação acerca de envolvimentos, de qualquer grau, seja sonegada ao conhecimento público. O panorama que a democracia e as instituições republicanas descortinam pela frente compreende o rastreamento seguro dos fatos e a transparência em sua divulgação.

A credibilidade, por exemplo, do Judiciário precisa ser restabelecida. Esses cuidados devem também contemplar outros segmentos dos poderes constituídos: magistrados da esfera superior, membros do Parlamento, incluindo candidatos a cargos governamentais, próceres políticos, dirigentes religiosos e agentes públicos que se deixaram seduzir, sem nenhum pudor, pela volúpia do ganho fácil de origem ilícita.

A antológica canção de Vinicius e Edu Lobo celebra a fartura vinda das águas. O escândalo reportado, ao contrário, expõe a fragilidade ética de figuras que deveriam atuar como guardiões do bem comum. Que a rede da fiscalização e do controle republicano não faça concessões, distinções de estandarte nem conceda salvos-condutos a quem quer que seja. Imprescindível afastar do cenário público condutas inadequadas e visões descompromissadas com a gestão, para que o Brasil navegue em mares limpos, altivos e transparentes. Encurtando razões: A vocação democrática da República pede coragem no enfrentamento dos problemas, por mais agudos que sejam, de modo a preservar a confiança popular nos rumos do progresso e desenvolvimento social a que estamos inescapavelmente destinados. As medidas alinhadas traduzem benfazejo arrastão.

César Vanucci
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César Vanucci

Jornalista [email protected]


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