Produção científica no País

A ciência brasileira pode crescer de forma consistente, mas há fatores que ainda precisam ser aprimorados, como o investimento contínuo e política de logo prazo
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Produção científica no País
Foto: Reprodução Adobe Stock

De acordo com o relatório Bori-Elsevier, divulgado no final de 2025, a produção científica brasileira registrou crescimento em 2024, após dois anos consecutivos de queda em relação ao pico histórico alcançado em 2021. O dado é positivo, mas revela um cenário que ainda exige atenção: recuperar o ritmo de uma das fases mais produtivas da ciência nacional depende de condições estruturais que vão além dos números de publicações.

O Brasil figura entre os maiores produtores científicos do mundo em termos absolutos, ocupando posições relevantes em áreas como ciências agrárias, medicina tropical, biodiversidade e engenharias. Esse desempenho, no entanto, convive com desafios persistentes: o financiamento público para pesquisa segue sujeito a oscilações orçamentárias, a infraestrutura laboratorial de parte das universidades públicas acusa defasagem, e a transferência do conhecimento gerado para aplicações concretas na indústria ainda é um nó estrutural do sistema de inovação nacional.

O financiamento é talvez o fator mais determinante. Agências como CNPq e Capes desempenham papel importante no custeio de bolsas e projetos, mas os recursos disponíveis têm variado de forma significativa ao longo dos últimos anos, impactando diretamente a capacidade das instituições de manter equipes, adquirir equipamentos e publicar em periódicos de alto impacto. O acesso a revistas científicas indexadas, frequentemente sujeito a taxas elevadas, também é um obstáculo para pesquisadores de instituições com menor capacidade financeira.

O Brasil tem uma base científica robusta e pesquisadores de altíssimo nível. O que ainda falta é uma conexão mais estruturada entre o que se pesquisa nas universidades e o que a indústria precisa para inovar. Empresas que investem em P&D e estabelecem parcerias com instituições de pesquisa são fundamentais nessa ponte, contribuindo para o ecossistema científico de forma complementar ao financiamento público e ampliando o acesso a equipamentos, reagentes e plataformas tecnológicas que muitas instituições não conseguiriam adquirir de forma independente.

A internacionalização da ciência brasileira é outro ponto que merece atenção, pois colaborações com instituições estrangeiras, participação em redes globais de pesquisa e publicações em coautoria internacional são indicadores que cresceram nos últimos anos, mas que ainda têm espaço para avançar. O fortalecimento dessas conexões amplia o impacto da produção científica nacional e posiciona o Brasil de forma mais competitiva no cenário global de inovação.

A ciência brasileira tem potencial para crescer de forma consistente, mas isso exige investimento contínuo, políticas de longo prazo e um ambiente que valorize a pesquisa como parte essencial do desenvolvimento econômico e social do país.

Sheila Lima
Sobre o autor

Sheila Lima

Gerente Regional de Vendas da Corning na América Latina e Caribe

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