Até quando a energia do mundo vai depender do petróleo?
As Filipinas declararam estado de emergência energética e o Japão pediu a liberação de estoques estratégicos, enquanto a Agência Internacional de Energia intensificou o monitoramento do mercado global de energia. Na Europa, consumidores têm acelerado a busca por alternativas como energia solar e veículos elétricos, um movimento que revela como as crises energéticas impactam a economia e o comportamento da população.
Essas decisões recentes surgiram de contextos diferentes, mas partem do mesmo lugar. A pressão sobre a oferta de energia por causa das crises do petróleo é um risco.
Ainda que a retomada e a normalização do fluxo de petróleo estejam em curso, o alerta permanece, já que os desafios ainda podem se prolongar. O Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela importante da produção global do combustível, é um exemplo de como a segurança energética depende de pontos expostos a instabilidades que afetam o mercado e não estão sob controle dos países.
Isso também tem nos mostrado que a transição energética e o estímulo à produção de energia limpa, antes uma agenda de médio e longo prazos, passam a ser tratadas como uma necessidade de resposta quase que imediata ao que acontece no mundo.
O petróleo continua sendo um dos pilares da matriz energética mundial, sim. Mas, ao mesmo tempo, é justamente essa centralização no combustível que contribui para os efeitos de instabilidades geopolíticas. A discussão, então, não é sobre substituir o petróleo de forma abrupta, mas sobre reduzir o grau de dependência dele.
A transição energética já está em curso, mas avança em ritmos diferentes em cada continente. A Índia é um exemplo disso: embora tenha anunciado que poderia atender 50% de suas necessidades energéticas por meio do uso de energia limpa, na prática, o país só consegue fornecer de fato essa energia a um quarto de sua população.
É nesse contexto que fontes renováveis, como a solar, ganham espaço. O movimento não se explica apenas pelo apelo ambiental, mas também por fatores econômicos e de segurança energética.
Ainda assim, é preciso reconhecer os limites. A infraestrutura global ainda está fortemente ligada aos combustíveis fósseis. Além disso, a transição exige investimento, planejamento e tempo. O ponto central da discussão é outro: se já sabemos que a dependência excessiva de uma única fonte traz riscos reais, até quando vamos aceitar que o petróleo continue sendo o principal regulador do ecossistema energético do mundo?
Reconhecer que o petróleo ainda é necessário hoje não é o mesmo que aceitar que ele deva ditar o ritmo do mundo para sempre. A resposta não está em uma ruptura imediata, mas na velocidade e na qualidade das escolhas que estão sendo feitas agora. Quanto mais a diversificação da matriz energética for tratada como prioridade, menor será o impacto das próximas crises. O mundo não precisa e não vai abandonar o petróleo da noite para o dia. Mas precisa parar de ser refém dele.
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