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Segurança alimentar, sustentabilidade e Brasil em tempos de crise geopolítica

A segurança alimentar exige soluções que superem a capacidade produtiva
Segurança alimentar, sustentabilidade e Brasil em tempos de crise geopolítica
Crédito: Reuters

Relatório recente da revista “The Economist” sobre a resiliência dos sistemas alimentares globais reforça uma realidade negligenciada: a fome no mundo não decorre da falta de produção, mas de sua extrema concentração. O Brasil integra o restrito grupo de grandes players mundiais, contudo, o acesso a uma alimentação adequada permanece um desafio urgente, agravado por conflitos geopolíticos que expõem gargalos estruturais em distribuição, renda e infraestrutura.

A segurança alimentar exige soluções que superem a capacidade produtiva. Em solo brasileiro, isso significa enfrentar carências logísticas e a necessidade de políticas públicas baseadas em dados. É imperativo que órgãos de governança atuem com foco no bem comum e nas populações vulneráveis, distanciando-se de vieses meramente ideológicos.

A crise global, embora severa, abre janelas de oportunidade. Movimentos geopolíticos cíclicos exigem estratégias que garantam a perenidade de empresas e Estados. Nesse cenário, a sustentabilidade deixa de ser um “marketing vazio” para se tornar ferramenta essencial de crescimento e sobrevivência. O agronegócio brasileiro, já pautado por ciência e tecnologia, agora avança em agendas indispensáveis para a abertura de novos mercados.

Um ponto crítico reside nas perdas ao longo da cadeia. Mais do que aumentar a produção, é preciso revisar processos, reduzir ineficiências e enfrentar entraves regulatórios para que o alimento chegue ao destino. O Brasil ocupa posição central não apenas como potência agrícola, mas como exportador de alimentos industrializados, onde a agregação de valor via sustentabilidade é o diferencial competitivo.

Ser uma potência agrícola não resolve, por si só, desigualdades no acesso ou deficiências logísticas. Segurança alimentar, estratégia e governança são pilares de um novo modelo de negócios. As soluções existem; o desafio atual é conectá-las para que o alimento seguro seja, simultaneamente, um direito universal e fonte de riqueza social.

Advogado, presidente do Consea-SP e especialista em Direito Alimentar Internacional

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