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Opinião

Dom Serafim, do Jequitinhonha ao Cardinalato

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Crédito: Divulgação

Tilden Santiago *

Partiu Dom Serafim para as moradas eternas, ao encontro de Yeshua de Nazaré, de quem foi discípulo na terra, do Jequitinhonha a BH passando por Diamantina e Roma. Como príncipe, cardeal da Igreja Romana, ligou-se ao Vaticano como um potencial sucessor do Papa.

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Minas e o Brasil perderam um filho ilustre, cardeal-arcebispo, teólogo, doutor em Direito Canônico, dirigente da CNBB, intelectual, reitor, pastor de ovelhas e cordeiros, preocupado com os pobres e protetor dos presos políticos nos anos 60 e 70. “Je m’appelle modest”, mas devo dizer que perdi um amigo na vida eclesial e política e no seio da massa do Galo, onde ele era conselheiro ilustre e esse escriba, torcedor, empunhando seu saxofone na charanga.

Dom Serafim Fernandes de Araújo foi um sucessor dos apóstolos, que deixou indelével sua marca na história eclesial e esportiva de Minas e do Brasil e na sociedade, em geral, dado o seu alto grau de consciência cívica. Filho do Jequitinhonha, esse nordeste das Minas e dos Campos Gerais, nem a batina, nem o solidéu, nem o barrete cardinalício conseguiram anular seu carinho com os pobres que conheceu desde o berço. Não é à toa que chegou a cardeal da Santa Madre.

Resolvi homenageá-lo com fatos e sentimentos, que a vida nos permitiu experimentar, numa proximidade de amigos, que tinham em comum, as humanidades e a formação filosófica com os lazaristas de São Vicente de Paulo, o amigo dos pobres de Paris, ele em Diamantina e eu em Mariana. E a teologia com os jesuítas, em Roma, na Universidade Medieval Gregoriana, no Colégio Pio Brasileiro.

Soube ele viver a chama do sacerdote, da espiritualidade, bem como do pastoreio junto ao rebanho, seu povo, longe das inúteis e nocivas, a meu ver, bipolarizacões radicais no campo eclesial e da política.

Na CNBB, sempre exerceu uma atuação, levando equilíbrio, quando dele dependeu à caminhada do episcopado e da Igreja Romana no Brasil. Conheci políticos e eclesiásticos que tentaram enquadrá-lo, rotulando-o de direita e alguns de esquerda. Ledo engano! Dom Serafim era sempre ele, na Igreja, na Política, na Universidade e no Galo.

A trama da vida social, política, educacional, universitária, eclesial, nos permitiu várias aproximações: 1) Quando troquei Roma por Nazaré, em 1963, desci do avião em Tel-Aviv, acompanhado e abençoado por 84 bispos brasileiros, entre eles Dom Serafim, que em Nazaré jantou na Fraternidade dos padres-operários, cuja vida eu abraçava como trabalhador da construção civil. Fui o elo para a sua relação com o bispo árabe-palestino de Nazaré, Jorge Hakim, da Igreja Melquita Ortodoxa (ligada a Roma), mais tarde Patriarca do Oriente; 2) durante a ditadura, Dom Serafim empregava na PUC-MG, presos políticos e perseguidos de esquerda desempregados, junto com o padre Geraldo Magela (era o início do marxismo cultural, hoje tão condenado; 3) Quando o Dops mineiro tentou impedir-me de ensinar filosofia na PUC, ele segurou na sala de aula e na docência universitária; 4) No velório de Tancredo só ele conseguiu apaziguar a multidão, que derrubava as grades do Palácio da Liberdade.

Nos últimos 46 anos, tínhamos encontros frequentes para falarmos de Yeshua, de política, de jornalismo, do Jornal dos Bairros, exitosa experiência de jornal popular nas décadas de 70 e 80 que circulava na grande BH (Contagem, Betim, Barreiro, Ibirité), que ele tanto incentivou. Falar do evangelho, das igrejas, da missão, do Jequitinhonha, de Minas, do Brasil e do mundo.

Sempre me sugeriu “levemente” uma volta à Igreja Romana. Hoje ele entende, nos corredores do Infinito, que ser anglicano é uma forma de vivenciar e expressar o ecumenismo e a união das igrejas e do gênero humano, algo tão sonhado por ele,  “Serafim” e por Yeshua de Nazaré, onde jantamos juntos, na mesa dos padres-operários, ele como padre-conciliar do Concílio Vaticano II e esse escriba, como estreante entre os padre-operários, sacerdote itinerante.

Hoje na eternidade, ele convive com milhares de amigos daqui da Terra, entre eles José Costa, fundador deste jornal que o encontrava com certa reserva à moda de Nicodemos, com o profeta da Galileia.

*Jornalista, embaixador e sacerdote anglicano

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