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Uma minoria que já foi mais barulhenta, mas ainda incomoda, insiste, capciosamente, que qualquer interferência nas redes sociais, visando estabelecer limites e controles sobre seu conteúdo, é atentado à liberdade de expressão e às liberdades individuais.

Para ir direto ao ponto, e repetindo o que já foi dito e repetido nesse espaço, a liberdade de expressão não abraça a mentira e esta é a questão central, a verdadeira discussão.

Algo que não interessava às próprias plataformas, visto que sua audiência é consideravelmente turbinada pelas mentiras, pelos discursos de ódio e outras tantas aberrações, tudo isso gerando tráfego e, consequentemente, audiência e faturamento.

Daí seguidas tentativas, algumas bem-sucedidas, de evitar identificação e acesso aos autores de conteúdo considerado impróprio ou ofensivo. Também argumentam, falsamente é claro, que julgavam mais importante proteger a liberdade de opinião.

Depois de tantas aberrações e de evidências comprovadas de que as redes sociais abrigavam manipuladores que punham em risco a liberdade coletiva e a democracia, deram afinal sinais de que seriam mais cuidadosas.

Um tanto arrogantes, talvez não contassem que pudessem ser atingidas no seu ponto fraco, a publicidade, e foi isso mesmo que aconteceu com o recente anúncio de grandes corporações, como a Coca-Cola, Unilever e Verizon, que suspenderão sua publicidade nas redes.

Argumento definitivo, já que apenas para o Facebook a decisão implica na perda de receitas que somam bilhões de dólares e outro tanto com a desvalorização de suas ações. Mantida essa posição, que por sua vez decorre, em parte, de ameaças de boicote aos anunciantes, com toda certeza a necessária faxina será processada em pouco tempo.

É o que se espera e que toda a internet deixe de ser uma espécie de terra sem dono e sem lei, caindo num progressivo descrédito quando o desejável é que caminhe na direção oposta, como se imaginou inicialmente, servindo, de fato, como meio de comunicação mais eficiente, aproximando e congregando pessoas, difundindo conhecimento e, com todo o seu potencial, ajudando a construir uma sociedade melhor.

Tudo, a rigor, na direção oposta ao que tem sido prevalente nos últimos tempos, em que até mesmo a eleição do atual presidente dos Estados Unidos é colocada sob suspeita, por conta das evidências de que as redes sociais foram manipuladas para favorecê-lo. Eis porque é animador saber que o tamanho da ameaça foi finalmente percebido.