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Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Na semana que passou, com as atenções concentradas nos avanços do coronavírus e a melhor estratégia para conter este processo que igualmente ameaça nações tão ricas quanto os Estados Unidos e os mais pobres países africanos, outros assuntos igualmente importantes ficaram em segundo plano.

Dentre eles as relações entre Brasil e China, abaladas pela incontinência verbal de um dos filhos do presidente da República, que atribuiu àquele país responsabilidade pela pandemia que vai tomando conta do planeta. Como seria de se esperar, a embaixada chinesa reagiu, e o fez num tom surpreendentemente duro, em que não faltaram referências a possíveis ameaças às relações comerciais entre os dois países.

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Enquanto o Ministério das Relações Exteriores, ao invés de se explicar e se desculpar, surpreendentemente cobrava desculpas do embaixador chinês, demanda que sequer mereceu resposta, o presidente Jair Bolsonaro depois de uma semana conseguiu contato direto, telefônico, com seu par, o também presidente Xi Jinping e felizmente para pôr água na fervura.

Com os ritos diplomáticos, tão caros no passado, deixados de lado, ambos preferiram suas contas no Twitter para revelar a parte mais substancial de suas falas, do lado de cá acompanhadas pelos ministros das Relações Exteriores, da Agricultura e do Meio Ambiente.

Segundo Bolsonaro, os dois reafirmaram os laços de amizade entre Brasil e China, falaram de ações conjuntas para vencer a batalha do coronavírus, além da ampliação das relações comerciais.

Xi Jinping surpreendentemente ignorou que seu embaixador cobrara um pedido de desculpas, que não veio, pelas “ofensas ao povo chinês” e preferiu, segundo nota da Embaixada da China em Brasília, informar que ambos “reiteraram o compromisso com a estabilização e ampliação da parceria comercial, nesse contexto desafiador e contribuindo para o enfrentamento do impacto causado pelo Covid-19 na economia mundial”. E finaliza, afirmando que os dois presidentes “reafirmaram o compromisso conjunto de dar continuidade ao estreito diálogo a favor do desenvolvimento saudável, estável e constante da parceria Brasil-China”.

Exportadores brasileiros, da Vale aos produtores de soja e de proteínas animais, que têm na China seu principal mercado, provavelmente respiraram aliviados diante da superação de um incidente que nem mesmo deveria ter existido. Apesar da delicadeza, ou pragmatismo, dos chineses diante da desnecessária e descabida grosseria, cabe refletir sobre o fato e a desproporcionalidade do risco. E esperar que o presidente da República pense da mesma forma e afinal ponha um freio naqueles que, queira ou não, falam em seu nome.

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