Crédito: REUTERS/Adriano Machado

“Nesse momento o País precisa de equilíbrio e responsabilidade, não de ameaças e radicalizações”, resume o presidente do DEM e prefeito de Salvador, ACM Netto, sobre declarações de um dos filhos do presidente da República, que em entrevista disse enxergar na reedição do Ato Institucional nº 5 uma alternativa para o País, condenando a um só tempo o sistema político que lhe deu uma cadeira no Parlamento e a Presidência da República a seu pai. O arroubo, que infelizmente tem sido uma constante e desvia o foco que deveria estar sobre os múltiplos problemas que temos a enfrentar, dessa vez foi longe demais e pode até ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, de 1983, que prevê detenção para quem fizer, em público, propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, as manifestações “são repugnantes do ponto de vista democrático e têm que ser repelidas com toda indignação possível pelas instituições brasileiras. A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras e ninguém está imune a isso. A Carta de 88 abomina, criminaliza e tem instrumentos para punir quaisquer grupos ou cidadãos que atentem conta seus princípios – e atos institucionais atentam contra os princípios e os fundamentos de nossa Constituição”, completou.

Na mesma linha, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considerou ser “lamentável que um agente político, eleito com o voto popular, instrumento fundamental do estado democrático de direito, possa insinuar contra a ferramenta que lhe outorgou o próprio mandato”. E acrescentou, garantindo que “não há espaço para que se fale em retrocesso autoritário, o que, além de absurdo, é uma inadmissível afronta à Constituição. Razões também para que o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon, anunciasse que o bloco pedirá a cassação do parlamentar. No Judiciário, pela voz do Supremo Tribunal Federal (STF), as críticas seguiram o mesmo tom, com o ministro Marco Aurélio Mello assinalando “que a toada não é democrático-republicana e os ventos, pouco a pouco, estão levando embora os ares democráticos.

Como em outras ocasiões de semelhante destempero, foi ágil em pedir desculpas, ainda que afirmando que não foi compreendido e suas palavras distorcidas. Certo é que ele parece ter ultrapassado limites aceitáveis e estaremos todos sob grave risco se tudo cair no esquecimento.