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EDITORIAL | Mancha que não se apaga

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Crédito: Matheus Bertelli/Pexels

A semana começou com o secretário de Saúde do Rio de Janeiro, segundo Estado mais atingido pelo coronavírus, pedindo demissão, depois de permanecer pouco mais de um mês no cargo.

As explicações a respeito são ainda variadas, senão controvertidas. Há quem diga que o ex-secretário temia se envolver com situações que, entre outras consequências, poderiam macular sua biografia, enquanto outros afirmam que ele seria demitido por resistir a pressões para efetuar pagamentos que, no seu entendimento, seriam impertinentes.

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Cabe lembrar que o Rio de Janeiro figura entre os 22 estados em que estão em andamento investigações sobre irregularidades em compras e contratos envolvendo a pandemia, inclusive na construção de hospitais de campanha. Sete já deveriam estar prontos, entregues e em operação, mas apenas dois estão nesta condição.

O Rio de Janeiro, onde os quatro últimos governadores em algum momento estiveram presos e respondem processos por corrupção, enfrenta um destino amargo, em conflito com sua imagem de beleza e alegria.

A corrupção é parte de um problema bem maior, traduzido num desequilíbrio fiscal que coloca o Estado à beira do abismo. Agora mesmo, por inadimplência em acordos anteriores, corre o risco de ter que pagar à União R$ 50 bilhões. Seria o fim da linha, com a falta de recursos paralisando todas as atividades públicas, inclusive na área de saúde.

Mas os cariocas não estão sozinhos, com outros 21 estados igualmente sob investigação envolvendo gastos na área de saúde, que, pela emergência, podem ser realizados fora dos regimes de controle convencionais. Eis a questão, ou a mais forte razão para preocupações em momento tão difícil.

Para melhor compreensão do que se passa, basta saber que na Copa do Mundo gastos da União em regime de excepcionalidade somaram R$ 25 bilhões. Hoje, com a pandemia, a conta pode se aproximar dos R$ 400 bilhões.

Como já se pode perceber, é muito dinheiro e muita tentação para um número também elevado de gestores públicos aos quais faltam escrúpulos para, ate mesmo num momento tão dramático, em que os mortos já passam dos 50 mil, conterem seus baixos instintos. De que outra forma explicar, olhando a questão em outra perspectiva, que o auxílio emergencial a trabalhadores informais custe mensalmente R$ 3,6 bilhões em pagamentos indevidos?

O que já veio a lume nos obriga a pensar no que mais possa estar ocorrendo, nos remete à triste conclusão de que mudam os atores mas o roteiro continua ainda o mesmo.

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