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EDITORIAL | Preparando a reconstrução

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Crédito: REUTERS/Ricardo Moraes

Já pode ser dado como certo que o auxílio emergencial pago a trabalhadores informais, um universo que segundo informações oficiais já alcança 50 milhões de indivíduos, será estendido.

O mais provável, segundo comentários correntes em Brasília, é que sejam pagas mais três parcelas, porém no valor de R$ 300,00, metade portanto do que foi pago nos três primeiros meses do programa.

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Os dramáticos efeitos colaterais da pandemia e do isolamento social que paralisaram a economia, além de seu prolongamento, justificam plenamente a decisão, ponto sobre o qual não existem discordâncias relevantes entre Executivo e Legislativo, que no caso fica com a palavra final.

Parece possível, no entanto, fazer mais bem feito nessa segunda etapa, lembrando a propósito que estimativas do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam que até 8,1 milhões de benefícios, além dos 10% do total, possam ter sido pagos indevidamente.

Muito provavelmente, e ao estilo que os brasileiros conhecem bem, as causas para absurdo dessas proporções são variadas, com espaços evidentes para corrupção e incompetência, ambas facilitadas pela pressa com que o programa foi posto em marcha.

Com toda certeza estão faltando esclarecimentos e explicações, que por óbvio deveriam vir antes do pagamento de novas parcelas, extirpado o que for indevido.

Para especialistas, é perfeitamente possível aprimorar o cadastro realizado, cruzar suas informações com outros bancos de dados disponíveis, facilitando a limpeza imediata – e já prometida, é bom lembrar – e, numa visão mais ampla, criando uma base confiável, para programas sociais permanentes e voltados para a redução da miséria extrema.

São tantas e tamanhas as incertezas com o futuro mais imediato que esse tipo de olhar e de precisão torna-se impositivo. Não custa nada lembrar que vem da China, esses dias, temores de uma “segunda onda” de ataque do coronavírus.

Neste nível de incertezas e insegurança, convém lembrar que é preciso também pensar nos trabalhadores formais e nos seus empregadores, ambos igualmente sob risco severo. Uma situação absolutamente nova, sem precedentes nas suas proporções, e que recomenda abordagem que igualmente fuja aos padrões já conhecidos.

Garantir empregos, como tem sido dito, é questão que não se pode dissociar da garantia da existência de empregadores. Trata-se de saber enfrentar a emergência, um esforço que pode aplainar a tarefa de recuperação, que está em algum ponto ainda não conhecido do horizonte.

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