Crédito: REUTERS/Adriano Machado

A alta administração federal, que nos últimos dias surpreendeu pelo comportamento mais comedido de seu chefe, acuado e, aparentemente, com um pouco mais de disposição para construir pontes, deixa no ar também a impressão de estar paralisada, ou desnorteada, a rigor sem saber exatamente o que fazer diante da pandemia e das dificuldades crescentes na órbita da economia.

O ministro Guedes, da Economia, ganhou do presidente um aval que nenhum outro membro do primeiro escalão recebeu, mas, claramente, está recolhido, parece não se mover mesmo quando instituições internacionais informam que as perdas brasileiras, medidas pela evolução do Produto Interno Bruto (PIB), poderão estar rondando os 10% quando dezembro chegar e o ano terminar.

No mundo real, concreto, o melhor sinal dessa apatia pode ser visto, ou ouvido, com as queixas de empresários sobre a oferta de crédito. Em resumo, a economia está parada e o crédito também, com 85% dos empresários que bateram às portas dos bancos voltando para casa com as mãos, ou os bolsos, vazias.

Simplesmente, e como de costume, não puderam responder às exigências de garantias, tinham inconsistências nos seus cadastros pessoais ou das empresas, não puderam cumprir a burocracia, espécie de muro erguido entre os balcões e os cofres dos bancos. Parados, sem reservas e sem crédito, a cada dia é maior o número dos que jogam a toalha, perdendo renda e involuntariamente fazendo crescer o desemprego, outro sinal de alarme nessa já conturbada conjuntura.

São problemas em proporções nunca vistas e a falta de respostas ou, antes, da exata compreensão de que será preciso fugir do convencional, indica que o caminho à frente será mais difícil de percorrer. E o tempo perdido evidentemente maior.

Para usarmos o exemplo mais extremo, 60 mil mortes, pouco mais, deveriam ser o bastante para fazer saber que os parâmetros necessariamente terão que mudar e que já é absolutamente impossível continuar prevalecendo aquela regra que diz que um banco só empresta dinheiro a quem for capaz de comprovar que não precisa dele.

Estamos apontando apenas o exemplo mais contundente, ou a maior das urgências neste plano, para reforçar a ideia do imobilismo nas instâncias decisórias, além de reforçar a convicção de que o tempo do convencional, das soluções que estão nas prateleiras ou nos manuais, já foi esgotado.

Dito de outra forma, trata-se de enxergar o que se passa, o que deveria ser o bastante para fazer compreender que a verdadeira saída que nos resta é fazer diferente, quebrando regras, rompendo com os maus hábitos cada vez que for preciso.