Crédito: Adão de Souza / PBH

Diante da pandemia, que se prolonga mais do que o inicialmente imaginado, a primeira das providências é atender, da melhor forma possível, os alcançados pelo vírus, contendo as fatalidades que a todos assombra.

Primeira tarefa, mas não a única certamente. Falamos dos cuidados pessoais, obrigação de todos e nunca uma escolha egoísta, falamos da quarentena, que infelizmente em poucos momentos apenas atingiu níveis mais próximo do ideal. Temos que considerar também os igualmente imperiosos efeitos colaterais, principalmente na economia, como consequência da drástica redução das atividades de produção e comércio.

Um problema também imediato, como muito bem sabem todos aqueles que perderam empregos, tiveram seus ganhos reduzidos e, milhares deles, trabalhadores ou empresários, já levados à lona, falidos. Uma situação inédita que, como já foi dito e repetido neste espaço, não será alterada com lamentos ou programas de assistência pautados pela burocracia e amparados pela ineficiência.

Nesse rol está a lentidão na entrega da ajuda emergencial oferecida aos trabalhadores informais e, na outra ponta, os programas de crédito prometidos às empresas e que em larga medida continuam sendo apenas promessas.

No Estado, segundo estimativas de comerciantes, ainda não há como suportar as taxas cobradas, chegando ainda aos 7% ao mês e mesmo assim não bastando para cobrir mais que 10% da demanda. Além disso, curiosamente, quando existe oferta é sempre para as linhas mais caras, nunca para as melhores.

Com relação às linhas especiais prometidas pelos bancos públicos, a situação a rigor pouco muda e o dinheiro não aparece. Enquanto isso os mais graúdos, aqueles que podem pelo menos bater às portas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apontam que a instituição em seis meses aprovou apenas trezentos processos no Estado.

Nessa toada e ainda sem políticas bem definidas e estruturadas para o enfrentamento das consequências da paralisação da economia, que já espera para o ano uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) próxima dos 10%, os prognósticos também vão piorando. E cresce a certeza de que as ações na esfera pública, de suporte e de estímulo, têm que tomar outra proporção e outra dinâmica, refletindo a situação tal como ela se apresenta.

O fato é que não dá mais para continuar fingindo indiferença ou tentar atribuir a exageros, da mídia inclusive, uma realidade que pode ser percebida a olho nu e num futuro que não parece distante poderá levar o País a uma condição de virtual colapso.