Ataque já começou

Exploração ilegal de cassiterita na Amazônia acende o alerta para o País
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Ataque já começou
Foto: Reprodução Adobe Stock

Na falta de prospecções, estudos e avaliações na escala que se faz necessária, a Amazônia brasileira continua sendo um grande segredo. E por ser desvendado tantas e tamanhas são as evidências de que a floresta, que chama tanta atenção mundo afora, esconde tesouros de proporções que, tudo indica, escapam até mesmo à imaginação dos mais otimistas. Algo que de pronto deveria bastar para acender luzes vermelhas em Brasília diante dos avanços do garimpo e da mineração ilegal – atividades em que são fortes as evidências de presença e atuação do crime organizado. Uma ameaça real, concreta e já bem estabelecida, conflitando também com a sempre presente cobiça internacional.

Para além do ouro, cujo garimpo ilegal se expande em velocidade compatível com as riquezas extraídas, provocando danos ambientais numa escala igualmente muito preocupante, além de danos irreparáveis às terras indígenas. E é neste contexto que surge dado novo ou, pelo menos, até então pouco percebido. Estamos falando da mineração – sempre ilegal – de cassiterita retirada nas terras Yanomami e no Parque Nacional dos Campos Amazônicos, ainda há pouco, alvo de mais uma grande operação da Polícia Federal. A cassiterita é o metal do qual se extrai o estanho em estado puro, essencial para a solda de microchips e, assim, presente na moderna eletrônica, dos celulares à tão falada inteligência artificial, passando pela transição energética.

Numa única palavra, no mesmo contexto em que se encontram as chamadas terras-raras e os minerais estratégicos que estão no centro das preocupações – e dos interesses – das potências industriais modernas. E com a diferença crucial de que a cassiterita já se encontra em processo extrativo acelerado, comprovadamente abastecendo a cadeia de suprimentos dos gigantes globais da tecnologia, de bens de consumo e até da moda. Tudo envolvendo, como revelou a Polícia Federal, empresas do porte da Microsoft, Amazon, Walt Disney, Sony, Starbucks, Caterpillar e Colgate-Palmolive, aqui apontadas apenas as mais conhecidas. Na contabilidade de cada uma delas, existem registros formais de que são abastecidas com estanho dessa procedência, o que já lhes valeu notificação nas investigações em andamento.

Os desvios são, na realidade, mais amplos, além de antigos, envolvendo empresas intermediárias e todo um processo de acobertamento que vai sendo aos poucos desvendado em ação conjunta do Ministério Publico Federal e da Polícia Federal. Tudo isso também com sentido de alerta por conta da proporção da ameaça que não pode e não deve ser negligenciada.

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