Rumo a corrigir

Endividamento recorde das famílias brasileiras requer respostas urgentes
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Crédito: Adobe Stock

O endividamento das famílias brasileiras, que alcançou patamares inéditos, está entre as maiores preocupações de gente graúda em Brasília, sobretudo depois que o mais recente programa de renegociação – o chamado Desenrola – não alcançou o sucesso esperado. Preocupa o volume das dívidas, preocupam as evidências de que este processo pode guardar proximidade com apostas eletrônicas e preocupa a oferta de crédito que o próprio presidente do Banco Central classifica como “agressivo ou até predatório”.
Um assunto para ser tratado em regime de urgência, independentemente do calendário eleitoral que presentemente ocupa as atenções gerais.

Faz pouco, Gabriel Galípolo apontou – e diante de jornalistas – a oferta indiscriminada de crédito, sem análise correta da capacidade de pagamento dos tomadores e com altas taxas de juros, como desvio a ser objeto de mais atenção, independentemente da política monetária que mantém as taxas de juros ainda acima de dois dígitos. E ilustrou as consequências dessa situação com a informação de que a inadimplência com cartões de crédito atinge pelo menos 100 milhões de pessoas, chegando a 65% do total de operações realizadas. Uma equação que não tem como ser sustentada quando é sabido que os endividados estão pagando juros de 15% ao mês, com alto comprometimento da renda. Um produto que carrega inadimplência neste nível tem problemas estruturais que vão muito além da conjuntura.

Nada disso representa qualquer novidade. O desvio é tão evidente quanto antigo, nada absolutamente nada justificando que as taxas praticadas nessas operações, inclusive pelos bancos oficiais, possam ir além dos 400% ao ano. Oferecer crédito nestas condições é muito mais que temerário. E tem a ver também com o processo de inclusão bancária, aliado a inovações tecnológicas e condições favoráveis no mercado de trabalho, impulsionando o acesso das famílias à ilusão do crédito fácil, assim rapidamente transformado em pesadelo.

É positivo que o problema seja percebido, levando de alguma forma ao entendimento de que como está não pode ficar. Mas é também claro que é preciso fazer muito mais que meramente chamar atenção para o assunto como se tudo fizesse parte de uma realidade que não tem como ser alterada, abrindo assim espaços para renegociações que se repetem com monótona constância e podem levar a descontos de até 90%. O bastante para o entendimento de que tudo está muito errado mesmo, o bastante também, espera-se, para que ações consequentes finalmente aconteçam.

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