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Crédito: REUTERS/Athit Perawongmetha

Didier Saint Georges*

Onze anos depois da crise de crédito de 2008, aparece um novo “Cisne Negro”, no sentido de um choque muito raro, imprevisível e cujas potenciais consequências são severas. O Covid-19 não é um grande problema médico – no sentido de uma doença com uma taxa de mortalidade muito elevada -, mas sim um grave problema de saúde pública: mesmo com uma taxa de mortalidade relativamente baixa teria consequências humanas desproporcionais se a infecção alcançasse uma parte considerável da população de vários países.

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A necessidade de medidas radicais de confinamento da população torna-se gradualmente imperativa, mesmo após as medidas tomadas na China terem sido inicialmente consideradas excessivas e, posteriormente, mostrarem sua eficácia. Os governos não terão outra escolha política – no sentido nobre da palavra – do que aleijar deliberadamente suas economias para tentarem conter a crise da saúde pública.

O desafio que ainda está por vir aumenta à medida que se acumulam três fatores agravantes: 1) alguns governos permaneceram durante muito tempo (ou ainda estão) em uma postura de minimização dos riscos, como é o caso dos Estados Unidos ou do Brasil, enquanto o aumento dos surtos em seus países torna a contenção da contaminação muito mais complexa do que na China, onde a origem do surto foi única; 2) a cultura de liberdades individuais, ou até as regiões de permanente suspeita de um ataque à democracia, dificulta a tomada de decisões coercitivas por parte dos governos; 3) a capacidade humana de negar a realidade é uma constante na história. É muito mais tentador acreditar no que queremos do que naquilo que tememos. O resultado consiste numa notória falta de disciplina de várias pessoas na aplicação de medidas básicas de precaução.

A gravidade dos eventos do tipo “Cisne Negro”, quer seja um choque endógeno como em 2008 ou exógeno como os atentados ao World Trade Center em 2001, deve-se à onda de riscos que estes provocam, propagando-se a uma velocidade que não é linear, mas sim exponencial. De fato, o forte vínculo dos diferentes interventores, sejam eles bancos com balanços interdependentes ou cidadãos com relações sociais estreitas, proporciona qualquer propagação por contágio uma trajetória inicialmente exponencial.

Esta progressão geométrica é própria de qualquer propagação viral, literal ou figurativamente, que por um lado subestima o potencial e a velocidade de desenvolvimento e, por outro, aumenta rapidamente a dificuldade de gestão do fenômeno se não for mitigado logo no início. É esta a situação que agora afeta a Itália e que é temida pelos serviços hospitalares de um número crescente de países, justificando as medidas radicais de confinamento.

Uma paralisação quase total da atividade econômica nos grandes países desenvolvidos é inédita. Até agora, apenas os pequenos países, alguns isolados do mundo, é que tinham vivido essa situação. Ninguém sabe quais são as reações em cadeia que podem ser causadas por crises de tesouraria, ou até falências de pequenas empresas, que (conjuntamente com as dos seus credores) afetariam por contágio todo o mercado financeiro, desde a China aos Estados Unidos, passando pela Europa. 2008 mostrou-nos a aceleração que este tipo de propagação pode assumir.

A limitação absoluta deste risco consiste em assegurar que estas crises de liquidez não se transformem em crises de solvabilidade, uma vez que a financeirização da economia é tão importante agora como era em 2008, de modo que existe uma ligação de feedback reflexivo entre a economia real e os mercados financeiros. A deslocação destes últimos prejudicaria consideravelmente os países e as empresas que necessitam financiar a si próprios, bem como os poupadores cujos futuros rendimentos dependem parcialmente dos bons resultados dos mercados.

É este o sentido do apoio que será inevitavelmente mobilizado pelos poderes legislativos ao setor financeiro em geral. O FED já tomou uma ação muito radical. O Banco Central Europeu terá que fazer mais. Assim como a política fiscal também precisará intervir para evitar crises de liquidez no mundo não financeiro. Ações feitas na esperança de que sejam suficientes.

É certo que desta vez os bancos se tornaram muito menos frágeis do que eram há doze anos, graças a uma regulamentação muito mais severa. Por outro lado, os próprios mercados se tornaram mais vulneráveis, porque serão menos apoiados pelos bancos e porque foram sustentados durante anos por políticas monetárias extremamente flexíveis.

Por mais grave que seja crise na saúde pública, ela será de natureza temporária, mas em parte às custas de um choque econômico violento que seria agravado por uma crise financeira. Por isso, mais uma vez, é indispensável que os poderes legislativos intervenham conforme necessário para tentar evitar sérias consequências nos mercados financeiros.

*Membro do Comitê de Investimentos Estratégicos da Carmignac

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