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Tilden Santiago*

A história, na terra dos viventes mortais de todos os tempos e lugares, é balizada e talvez embalada pelas guerras, revoluções e eleições na política: no meu entender, é o que as parcas teceram para a Humanidade.

Há pessoas que, analisando friamente, veem nas guerras uma força motriz da História. Meu mestre de jornalismo, José Costa, não chegou a tanto, mas me disse, um dia, que as guerras permitem a sobrevivência e arrumação dos povos, como abóboras numa carroceria. Saudades do Sr. Zé Costa e sua sabedoria!

“As guerras são uma escola fantástica para a Humanidade”!  Dizia meu coirmão Vito Gianotti, jovem italiano, pescador e padre-operário em Vitória-ES, que bebericou filosofia na Toscana, em Roma, em Jerusalém e no Mar da Galileia, nos anos 60. Ao que respondia nosso guru: “Só fala essa besteira quem nunca foi à guerra”! O francês Paul Gauthier, durante a ocupação nazista, escondera judeus amigos em sua casa e sobreviveu nas montanhas do sul da França, na Resistência, junto com semitas e cristãos. Pleno de sabedoria, transpirava filosofia, teologia e mística entre nós, seus pupilos e com palestinos e israelenses.

Hoje uma guerra nuclear ou biológica é risco bem maior do que a tragédia da Guerra Fria. Sem nos esquecermos que ela e os crimes ecológicos, verdadeira guerra, podem liquidar com a vida na face da Terra, eclipsando a riqueza fantástica e harmoniosa do Universo.

As revoluções acontecidas até agora, para serem bem compreendidas, precisam ser analisadas nas suas eventuais relações com uma contrarrevolução e distinguidas, aquelas em contradição com o modo de produção capitalista, reinante com a predominância da globalização e do liberalismo de direita, de esquerda e de centro.

Por fim, são balizas do avanço ou retrocesso históricos das sociedades, as eleições e seus processos. O “aqui e agora” do Brasil transpira eleições, neste 2020. Nas de 2018, o capitão Jair Bolsonaro saiu da campanha e das urnas, como único líder da disputa, propondo derrubar o sistema político, como se fosse possível transformar a realidade através de eleições e não de revolução.

A conjuntura mostra o engano do candidato e presidente Bolsonaro ao iludir o eleitorado e o povo brasileiro com uma anunciada mudança estrutural do “sistema político” caduco, podre e corrupto, do qual ele e a família fazem parte, através das eleições de 2018.

Há uma interrogação quanto ao que virá após o bolsonarismo, incapaz não só de quebrar as estruturas do “sistema político”, atacando o STF e o Congresso Nacional, mas incapaz também de analisar, planejar, governar e administrar nosso Brasil, mais do que inserido na grande crise econômica, superdimensionada com o surgimento da pandemia e, consequentemente, do confinamento e distanciamento social.

*Jornalista, embaixador e sacerdote itinerante