Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – A avaliação do governo Jair Bolsonaro mostrou variações dentro da margem de erro, mas os números de setembro indicam uma parcela maior entre aqueles que avaliam a administração de forma negativa, mostrou pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem.

O levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que a avaliação ótima/boa do governo recuou para 31% neste mês, ante 32% em junho, enquanto a ruim/péssima foi a 34%, em comparação com 32% na última pesquisa.

A regular permaneceu em 32%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.
A maneira de governar de Bolsonaro é desaprovada por 50% dos entrevistados, ante 48% em junho. Já 44% aprovam, ante 46%. A pesquisa mostrou ainda que 55% dos pesquisados não confiam em Bolsonaro, ante os 51% que afirmavam não confiar em junho. Os que confiam somam 42%, ante 46%.

A expectativa positiva para o restante do mandato do presidente também caiu, dentro da margem de erro. Neste levantamento, 37% dos entrevistados esperam que o governo nos próximos três anos seja ótimo ou bom, frente a 39% em junho. Para 31%, o restante do governo será ruim ou péssimo. Em junho eram 29%.

O levantamento do Ibope confirma a tendência de piora na popularidade do presidente mostrado em outras pesquisas. O último Datafolha, publicado no início deste mês, mostrou um aumento da reprovação do presidente de 33% para 38%, na comparação com pesquisa do mesmo instituto feita em julho.

A pesquisa CNI/Ibope levantou ainda a avaliação por áreas do governo. Segurança pública continua em primeiro lugar, com aprovação de 51%, mas é a única aprovada por mais de 50% dos entrevistados. Em seguida vem educação (44%), combate à inflação (42%) e meio ambiente (40%). Impostos e juros foram as menos aprovadas entre as nove selecionadas no levantamento, com 32% e 31% de respostas positivas.

A popularidade do presidente se mantém baixa na região Nordeste, onde apenas 20% dos pesquisados consideram o governo bom ou ótimo, enquanto 47% avaliam como ruim ou péssimo.

Mas foi na região Sul que Bolsonaro perdeu o maior apoio. Em junho, 52% consideravam o governo ótimo ou bom, número que caiu agora para 36% nesta última pesquisa, e aquelas que avaliam o governo como ruim ou péssimo aumentou de 18% para 28%. O Ibope ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre os últimos dias 19 e 22.

Renúncia – O cacique Raoni Metuktire, indicado ao Prêmio Nobel da Paz, disse ontem que seu povo não deixará a Amazônia e pediu a renúncia do presidente Jair Bolsonaro, que na véspera acusou o líder indígena de ser “peça de manobra” de interesses estrangeiros.
Raoni foi recebido por parlamentares de oposição sob aplausos e cânticos tribais na Câmara dos Deputados, onde falou com repórteres por meio de uma intérprete.

“Bolsonaro disse que eu não era um líder, mas é ele que não é líder e tem que sair”, disse Raoni, de 89 anos, na entrevista coletiva, após gritos dos parlamentares de “Raoni sim, Bolsonaro não».

Raoni, um ícone inconfundível da Amazônia, ficou conhecido internacionalmente como ativista ambiental nos anos 1980, ao lado do músico Sting. O cacique caiapó se tornou símbolo da luta contra o desmatamento na Amazônia, e um grupo de ambientalistas e antropólogos apresentou o nome dele como candidato ao Prêmio Nobel da Paz de 2020 por sua defesa da floresta ao longo da vida.

Na última terça-feira, em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro criticou Raoni ao rebater críticas internacionais aos incêndios na floresta amazônica e afirmar que a Amazônia não faz parte do patrimônio mundial.

“A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes, alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro defende a exploração mineral e agrícola da Amazônia, inclusive com a participação indígena em suas reservas. Na ONU, o presidente acusou as ONGs de quererem manter as tribos da Amazônia vivendo como “homens das cavernas”.

Raoni deixou claro que seu povo quer continuar vivendo como sempre viveu nas terras ancestrais, que estão cada vez mais sob ameaça de invasões de madeireiros ilegais, garimpeiros e grileiros desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro.

“Minha preocupação é com o meio ambiente. Hoje todo mundo está preocupado. Meu trabalho é preservar a floresta para todos, para a sobrevivência dos meus netos, as terras indígenas, os povos indígenas e o meio ambiente. (Reuters)