Crédito: Junia Garrido

Uma das três mulheres que concorrem ao cargo máximo da Prefeitura de Belo Horizonte, Luísa Barreto (PSDB) propõe uma gestão colaborativa, integrada e conectada para a capital mineira. A aplicação de uma política de desenvolvimento também está entre as propostas da candidata, que faz duras críticas à atual gestão, alegando que a cidade está abandonada e paralisada.

Luísa Barreto é graduada em Políticas Públicas e Gestão Governamental e pós-graduada em Gestão Estratégica, pela Fundação João Pinheiro. Foi servidora pública estadual de carreira da Secretaria de Planejamento e Gestão, onde ocupou até há pouco tempo, a função de secretária-adjunta. Foi responsável pela coordenação de projetos estruturadores do governo de Minas, entre eles a reforma administrativa do Executivo estadual.

A candidata, que atua também como professora-convidada de Gestão Pública na Fundação Dom Cabral, defende um trabalho conjunto da PBH com as demais cidades da região metropolitana e um melhor relacionamento com os demais poderes executivos. Para ela, os belo-horizontinos não podem se contentar com pouco e Belo Horizonte precisa ser a melhor cidade do Brasil para se viver.

Como reaquecer a economia da cidade no cenário pós-pandemia?

Toda a economia de Belo Horizonte sofreu bastante durante esse momento de pandemia, em virtude de atitudes de pouco diálogo por parte da Prefeitura e, nesse momento, é muito importante a gente ter uma visão para os micro e pequenos negócios, em especial, que foram aqueles que mais sofreram com o fechamento da cidade. Por isso, vou criar um centro de recuperação de negócios, que vai reunir os órgãos da Prefeitura, bancos públicos, Sistema S e também os micro e pequenos empresários em um mesmo lugar para que a força institucional da Prefeitura auxilie quem empreende na cidade. Vai ser também um espaço de diálogo para que a prefeitura realize uma escuta permanente junto a quem faz negócios na cidade, para saber deles como pode ser mais desburocratizada e mais simples. Belo Horizonte precisa ser uma cidade mais amiga do empreendedor, para que se tenha um melhor ambiente de negócios na cidade e para que quem já sofreu tanto com a pandemia possa, finalmente, recuperar seus negócios e voltar a gerar emprego e renda.

São inúmeros os gargalos na infraestrutura da capital mineira. Como pretende saná-los?

As chuvas hoje são o principal problema da cidade e os recursos do município para obras devem, de fato, ser prioritários para acabar com as enchentes, especialmente na região do Vilarinho e na avenida Tereza Cristina. Mas a Prefeitura também precisa de uma solução definitiva para o problema, que não será só com obras pontuais. Precisamos ter uma melhor gestão ambiental e trabalhar também com o conceito de infraestrutura verde, ampliando as áreas verdes na cidade, para que a água seja infiltrada no solo e não corra por cima do asfalto. Uma das minhas principais propostas é a criação de parques lineares. Muita gente fala que os rios de Belo Horizonte estão embaixo do asfalto e cobertos pelas ruas, mas a verdade é que, cerca de 60% dos nossos rios ainda não tem construção da área de preservação, o que permite essa aplicação. Com a construção destes parques poderei ampliar a área verde e criar mais espaço de lazer e bem-estar para a população.

Como avalia a mobilidade urbana e o novo plano diretor da Capital?

A mobilidade urbana de Belo Horizonte está muito ruim. Temos hoje o segundo pior trânsito entre todas as capitais do País, quando considerado o tempo gasto no trânsito. Belo Horizonte não precisa focar, agora, em grandes obras para resolver a questão da mobilidade, mas há formas simples de melhorar a situação. Um deles é o planejamento. Sou crítica ao plano diretor aprovado recentemente, porque ele não gera uma melhor gestão urbana da cidade. As cidades que funcionam melhor e de forma mais dinâmica no mundo inteiro são aquelas em que as pessoas têm perto das suas casas oportunidades de lazer, emprego e serviços públicos. Para podermos aplicar isso em Belo Horizonte, é preciso revisar o plano diretor que também tem problemas em relação ao custo imobiliário. Por fim, é preciso um olhar sério e cuidadoso com o transporte público, que precisa ser bom e rápido. Para que a gente possa melhorar o transporte público da Capital, uma das minhas propostas é atacar de vez a questão da tarifa, que é a segunda mais cara dentre todas as capitais do País. O que proponho é uma tarifa flexível, de forma que nos horários em que os ônibus trafegam mais vazios, o preço seja reduzido, e nos horários de pico, não se altere.

Como atrair novos investimentos para a cidade e em quais setores vê maior potencial?

Aposto no setor de tecnologia, como os de e-commerce. Sabemos que Belo Horizonte não tem uma área que abarque, por exemplo, a criação de uma grande indústria. Isso é muito difícil numa cidade já tão adensada, mas setores da economia digital podem ser atraídos, até porque, a cidade já tem potencial nesta área. A Capital também pode e deve tentar atrair grandes escritórios corporativos de multinacionais. Hoje, essas grandes empresas têm seus escritórios corporativos no Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília, que são cidades com custo de vida e imobiliário mais alto, ao mesmo tempo em que, Belo Horizonte, ainda está geograficamente melhor localizada. E há uma terceira estratégia fundamental, que é Belo Horizonte atuar em parceria com os outros 33 municípios da região metropolitana, já que é parte uma metrópole e precisa liderar o processo de desenvolvimento da região.

Pensando na gestão da cidade e no tamanho da máquina pública, quais as propostas? Uma gestão compartilhada seria viável?

Belo Horizonte precisa de uma gestão mais eficiente, uma máquina pública mais enxuta e isso é algo que já fiz várias vezes, como professora e consultora em gestão pública. Também já trabalhei com revisão de estrutura administrativa em diversos municípios e a última vez que organizei uma reforma administrativa foi no Governo de Minas, no ano passado, em que liderei a reforma administrativa que vai trazer uma economia de aproximadamente R$ 900 milhões ao longo de quatro anos. E com relação à região metropolitana, acredito que é possível que Belo Horizonte tenha uma gestão mais próxima das demais prefeituras.

Como a política de desenvolvimento do seu programa de governo leva em conta a questão fiscal?

Belo Horizonte hoje tem uma situação fiscal relativamente boa, uma situação fiscal melhor que a do governo estadual e a do governo federal. Só para a gente ter uma noção, a cidade tem um orçamento de aproximadamente R$ 13 bilhões e encerrou 2019 com R$ 3 bilhões, ou seja, está longe de ser uma prefeitura que sofre com problemas de caixa ou orçamentários graves. Com uma gestão mais inteligente e eficiente, é possível provocar uma melhoria ainda maior na qualidade dos serviços. De toda forma, a Capital tem alguns problemas nessa área fiscal, como, por exemplo, o fato de perder investimentos para cidades do entorno, justamente por praticar tarifas de ISS mais altas.

Qual o papel de Belo Horizonte no desenvolvimento do Estado? Como fortalecer o papel de protagonismo da Capital na economia mineira?

Para que a cidade seja protagonista ela tem que ser também mais próxima. Belo Horizonte precisa ter um melhor diálogo com o governo estadual. A gente precisa colocar Belo Horizonte como prioridade à frente de qualquer vontade política. É preciso também ter um plano e uma visão clara de desenvolvimento econômico, que hoje a cidade não tem. Belo Horizonte precisa trabalhar e fortalecer setores tradicionais, como comércio e serviços e também desenvolver setores portadores de futuro, como a economia criativa. Estou falando de tecnologia, gastronomia, moda, produção cultural. Para isso, porém, é necessário que a prefeitura olhe para estas atividades como os setores que realmente precisam ser desenvolvidos, sendo parceira, auxiliando e garantindo mais estabilidade institucional, melhor diálogo e um ambiente econômico para que elas possam se desenvolver.

Ao longo da última década Belo Horizonte desenvolveu uma política para o fortalecimento da cadeia turística, buscando, inclusive, novas vocações além do turismo de negócios. Qual papel o turismo deverá ter e quais políticas públicas pensa em desenvolver?

O turismo é muito importante, principalmente quando a gente fala de uma cidade que tem atrativos nas áreas de cultura e gastronomia.  Belo Horizonte hoje, para além do turismo de negócios, tem um grande evento que atrai volume muito expressivo de turistas, que é o Carnaval, quando a gente tem cerca de 5 milhões de foliões nas ruas da capital mineira. Fico imaginando que a cidade, com os potenciais que tem na gastronomia, na música e na moda, poderia ter outros grandes festivais, outros grandes eventos para atrair volumes semelhantes de turistas. Belo Horizonte precisa se reinventar, pensar e atrair grandes de eventos. E, novamente, a gente vê a questão metropolitana: a cidade tem hoje alguns potenciais turísticos muito bons, atrativos consolidados, como a região da Pampulha, mas tem no seu entorno, destinos muito fortes. Não há como falar de turismo em Belo Horizonte sem considerar as cidades históricas, como Ouro Preto, Inhotim, em Brumadinho.

O que você pensa para fomentar a inovação na Capital?

O setor encontra alguns obstáculos para ser fortalecido na cidade. Não apenas na questão tributária, mas também pela dificuldade de infraestrutura. A gente percebe também que várias empresas de tecnologia deixam Belo Horizonte pela dificuldade de encontrar mão de obra capacitada. E é por isso que gosto de pensar a cidade de maneira integrada: ao mesmo tempo há jovens que não têm trabalho, que gostam de setor de tecnologia, têm interesse pela inovação, mas não sabem qual caminho trilhar. Pretendo conectar essas pontas e trazer mais oportunidades para os jovens e garantir que estas empresas permaneçam em Belo Horizonte, por meio de um programa de prevenção social à criminalidade.

E na gestão pública, em que você pretende inovar?

Em praticamente tudo. A inovação tem que ser parceira da gestão pública, porque é por meio dela que a gente consegue fazer mudanças de alto impacto com custo relativamente menor. Minha plataforma de governo prevê a construção de uma cidade colaborativa, construída por meio do diálogo entre a prefeitura e quem reside na cidade. E essa participação se dará por meio da tecnologia para garantir que seja efetiva e individual. Além disso, eu penso em trazer a tecnologia para todas outras áreas. Minha principal proposta na área de saúde é a implantação de uma tecnologia que já existe nos convênios privados: o prontuário eletrônico, uma tecnologia que armazena o histórico dos pacientes garantindo maior estabilidade no atendimento e permitindo cuidados individualizados. Da mesma forma, na educação, minha principal proposta é aplicar a tecnologia nos métodos de ensino, modernizando a sala de aula e aproximando da cabeça dos jovens.

Qual o lugar de Belo Horizonte no futuro?

Belo Horizonte precisa ser a melhor cidade do Brasil para se viver. Infelizmente, nossa cidade está abandonada e paralisada por conta de uma Prefeitura que não acredita em no seu potencial. Gosto de pensar e sonhar grande. Mais do que isso, corro atrás dos meus sonhos e os transformo em realidade. A gente não pode se contentar com pouco.