Lula e Flávio Bolsonaro vão para o segundo turno e disputa ao Planalto será definida no dia 25

Resultado das urnas confirma a polarização da disputa eleitoral. Com 96,90% das urnas apuradas, Lula obteve cerca de 51 milhões de votos (44,63%), e Flávio, 54 milhões de votos (47,50%)
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Lula e Flávio Bolsonaro vão para o segundo turno e disputa ao Planalto será definida no dia 25
Lula e Flávio Bolsonaro | Fotos: Ricardo Stuckert / PR | Lula Marques/ Agência Brasil

Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais. A confirmação de que haverá segundo turno foi anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 20h56 deste domingo (4).

Com o resultado, daqui a três semanas, no dia 25, eleitores de todo o País vão definir entre a reeleição de Lula – que pode ir para o seu quarto mandato – e a volta da família Bolsonaro ao poder. Jair presidiu o Brasil de 2019 a 2022 e foi preso em 2025 após ser condenado pelo STF por organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Diante disso, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, entrou para a disputa na eleição deste ano.

Os dois candidatos que disputam a Presidência da República em 2026 tiveram seus planos de governo registrados no TSE em agosto e têm detalhado propostas em entrevistas, sabatinas e debates.

Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, 80 anos, natural de Garanhuns, em Pernambuco, é metalúrgico e ex-líder sindical. Foi presidente da República por dois mandatos, entre 2003 e 2010, e voltou ao cargo em 2023 após vencer as eleições de 2022. Candidato à reeleição ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, registrou no TSE um plano de 84 páginas dividido em 13 eixos, com ênfase na continuidade de políticas sociais e na defesa da soberania nacional.

Na economia, o programa apresentado por Lula prevê a manutenção do arcabouço fiscal com controle da inflação, a ampliação de recursos do Plano Safra com juros menores para o crédito rural e a continuidade da política de progressividade tributária, com isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e taxação de super-ricos. Na área social, o documento propõe a valorização do salário mínimo sempre acima da inflação e o reajuste do Bolsa Família, além de metas para a educação como universalizar a oferta de escolas em tempo integral, ampliar para mil o número de institutos federais e alcançar 80% das crianças alfabetizadas na idade certa.

O plano também prevê a criação do Ministério da Segurança Pública para coordenar políticas nacionais em articulação com estados e municípios e o fortalecimento do Programa Brasil contra o Crime Organizado, com ações de asfixia financeira de organizações criminosas e de milícias e reforço da segurança nos presídios. Na saúde, propõe a ampliação do Farmácia Popular com exames laboratoriais gratuitos e uma rede de tratamento oncológico. Na área de soberania, o texto propõe criar polos industriais para refinar terras raras e lançar o Plano Inova Brasil para garantir nuvem, data centers e inteligência artificial nacionais.

Flávio Bolsonaro, do PL, 44 anos, natural do Rio de Janeiro, é advogado, foi deputado estadual no Rio de Janeiro entre 2003 e 2018 e é senador da República desde 2019. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi escolhido pelo PL como candidato à Presidência após a prisão e inelegibilidade do pai e tem como vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Registrou oficialmente no TSE no dia 13 de agosto o plano intitulado “Para o Brasil vencer o atraso”, com 76 páginas.

O documento prevê seis mudanças relacionadas diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas o fim das competências criminais originárias da Corte, a restrição às decisões monocráticas e a revisão das regras para ações usadas para questionar leis diretamente no Supremo. O texto também propõe uma quarentena de um ano para ministros de Estado antes de eventual indicação ao Supremo e impedir que parentes de até terceiro grau de ministros atuem no tribunal. As propostas que alteram atribuições previstas na Constituição, como o fim de parte da competência criminal do STF, dependem de aprovação do Congresso Nacional, por exigirem mudança constitucional.

Na segurança pública, o programa propõe a criação de presídios e o enfrentamento ao tráfico de armas e munições, com ampliação de tecnologia e integração de forças. Na economia e infraestrutura, o plano fala em política de corte de gastos e ampliação de vagas em presídios e investimentos em infraestrutura, além de buscar soluções diplomáticas para sanções comerciais e retomar o processo de adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com redução gradual do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio. O documento faz referência ainda à ampliação das escolas cívico-militares, à flexibilização do licenciamento ambiental e à retomada do programa de titulação de terras.

Os dois planos completos podem ser consultados na plataforma DivulgaCandContas do TSE.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.


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