Crédito: Valter Campanato

Brasília – Convocado a prestar esclarecimentos no Senado oito meses depois da revelação do caso das candidaturas de laranjas no PSL de Minas Gerais, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, encontrou na manhã de ontem um clima de solidariedade na maior parte das 2 horas e 35 minutos em que permaneceu na Comissão de Fiscalização e Controle da Casa.

Dos 13 senadores que fizeram uso da palavra, sete manifestaram apoio aberto ao ministro, que foi denunciado pelo Ministério Público sob acusação de patrocinar com dinheiro público esquema de candidaturas femininas de fachada nas eleições de 2018.

De quebra, defenderam a revogação, com apoio de Álvaro Antônio, da exigência de cota mínima para candidaturas femininas.

Apenas quatro dos 81 senadores da Casa fizeram perguntas sobre o esquema das laranjas – caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo por meio de diversas reportagens publicadas neste ano-, sendo que Álvaro Antônio respondeu a apenas três.

Em suma, o ministro de Jair Bolsonaro afirmou não ter existido candidaturas de laranjas em Minas Gerais nem caixa dois em sua campanha ou na do presidente da República.

Apesar disso, minimizou a gravidade do caixa dois eleitoral e se negou a abonar a conduta de assessores e candidatas (outras dez pessoas foram denunciadas) que estavam sob sua coordenação durante as eleições.

O ministro do Turismo chegou à comissão pouco depois das 9h e fez uma exposição inicial. “O PSL de Minas, no ano de 2018, não teve candidaturas-laranja. Todos os candidatos e candidatas, isso eu posso afirmar categoricamente, fizeram campanha política, inclusive as quatro candidatas denunciadas”, afirmou, em referência às postulantes que, apesar de receber uma das mais expressivas fatias nacionais de dinheiro público do partido, tiveram apenas cerca de 2.000 votos.

Em 2018, Marcelo Álvaro Antônio concorreu à reeleição como deputado federal e presidia o PSL em Minas, sendo também o responsável pela coordenação de campanha de Bolsonaro no Estado.

O ministro voltou a afirmar ainda que foi investigado por nove meses por Polícia Federal, Ministério Público e imprensa -ele citou por diversas vezes a Folha de S.Paulo- , sem que “uma pessoa sequer” das cerca de 80 ouvidas tivesse citado o seu nome em algum procedimento inadequado.

Na verdade, vários depoentes fizeram acusações contra o ministro, incluindo candidatas do PSL, uma deputada federal eleita pelo partido (Alê Silva) e o então coordenador e assessor de sua campanha no Vale do Rio Doce, Haissander Souza de Paula.

Em um primeiro depoimento à PF, Haissander disse que com certeza o dinheiro de uma candidata laranja não foi usado por ela e que achava que esses valores foram desviados para campanha de Álvaro Antônio e de Bolsonaro, por meio de caixa dois.

Apesar de vários outros elementos colhidos pelos investigadores, o ministro diz ter sido denunciado apenas com base na teoria do domínio do fato – tese segundo a qual o ocupante de cargo mais alto de um esquema nem sempre atua diretamente nas fraudes, mas tem conhecimento sobre elas.

Apoio – Entre os sete senadores que se manifestaram para apoiar o ministro estavam o novo líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI).

Todos afirmaram que os problemas enfrentados por Álvaro Antônio ocorreram em todos os partidos, sendo causados, em grande parte, pela exigência legal de que pelo menos 30% das candidaturas têm que ser do sexo feminino.

Ciro Nogueira chegou a dizer que acusações de caixa dois ocorrem no País inteiro e que o caso de Álvaro Antônio só ganhou repercussão porque ele teve “a sorte ou o azar” de, depois, de virar ministro de Estado.

Os outros que prestaram solidariedade a Álvaro Antônio foram Weverton (PDT-MA), Izalci Lucas (PSDB-DF), Telmário Mota (PROS-RR) e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Apenas Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de convocação, Reguffe (Podemos-DF), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Paulo Rocha (PT-PA) fizeram perguntas – a desse último, sobre se Álvaro Antônio havia conversado com o ministro Sergio Moro (Justiça), chefe da PF, acerca das investigações, ficou sem resposta. (Folhapress)