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Otimista com reabertura, Kalil garante ajuda a negócios afetados

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Crédito: Amira Hissa
Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil | Crédito: Amira Hissa

Alexandre Kalil (PSD) destaca-se em suas gestões pelo pulso firme e tom enérgico. Com essas características em evidência presidiu por anos o Clube Atlético Mineiro e faz o mesmo à frente da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), desde que foi eleito, em 2016, com o slogan “chega de político” e 52,9% dos votos válidos.

Em 2020, à frente do Executivo municipal da terceira maior metrópole do País, não seria diferente. Este que seria o último ano do atual mandato, tradicionalmente marcado pelos gestores públicos com entrega de obras e resultados, tem sido desafiador ao ponto de levar Kalil a dizer que as eleições não são sua prioridade.

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É que o ano começou com grandes estragos em diversas regiões da cidade, causados pelas chuvas que vieram em volume recorde para Minas Gerais. Em fevereiro, uma pequena pausa para o Carnaval, já que a capital mineira tem se destacado como destino da folia nos últimos exercícios, mas, logo em seguida, chegariam os primeiros impactos da pandemia de Covid-19.

Foi em 18 de março que a PBH publicou o primeiro decreto com medidas de distanciamento social e limitando o funcionamento das atividades econômicas às essenciais. A primeira tentativa de flexibilização teve início no dia 25 de maio. No entanto, diante do aumento do número de casos e ocupação excessiva dos leitos hospitalares, precisou recuar no fim de junho. Bares, restaurantes e lojas de vestuários ficaram fechados por mais de quatro meses.

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, Kalil mostrou-se otimista com a liberação do comércio nas últimas duas semanas, falou sobre o enfrentamento à pandemia, garantiu que haverá medidas para os negócios impactados e pediu desculpas ao empresário belo-horizontino que o considera culpado. Mas também enfatizou que a responsabilidade não é sua, mas do vírus. E avisou: “Governar não é agradar”.

Como avalia o enfrentamento à pandemia no Brasil e em Minas Gerais?
Posso avaliar e falar de Belo Horizonte. Pela primeira vez tem números animadores, já que a abertura das últimas semanas não alterou os índices até hoje. Vamos esperar até a próxima quarta-feira, quando teremos o prazo para saber se seguiremos com a flexibilização ou não. Mas, em princípio, me parece que a abertura gradual vai dar certo.

O que Belo Horizonte fez de diferente e que tem dado resultados?
Eu acho que o fechamento da cidade na hora certa. A fiscalização intensa da Polícia Militar, da Guarda Municipal e dos fiscais da Prefeitura também foi um ato importante. Uma atuação em linha reta, na qual foi criado um protocolo científico junto com a matemática, a ciência e com médicos infectologistas para que, independentemente de pressões, a gente não mudasse o rumo do trabalho traçado.

Quanto a Prefeitura já investiu na pandemia? Foi necessário realocar recursos?
Não (realocamos). Tínhamos dinheiro em caixa e recebemos recursos do governo federal para a Saúde e Fazenda. Não sei precisar o volume, mas seguramente já ultrapassamos os R$ 200 milhões.

O que o Comitê de Enfrentamento à Pandemia tem falado sobre a atual flexibilização? Será possível avançar para a próxima fase? Existe a possibilidade de liberar o comércio aos sábados?
Eu sou apenas um porta-voz do Comitê. Tudo o que eu falo é o que eles me falam. Vamos ter reunião na semana que vem e todos esses aspectos serão avaliados. Não podemos tratar o assunto de forma diferente da que tratamos até hoje. Nossa linha de atuação continua a mesma e que a abertura da cidade não é para sair para passear. É para sair para necessidades de compras, para ajudar os comerciantes que estavam precisando muito. Mas a hora do comércio ser ajudado vai chegar. E a Prefeitura, seja qual for o prefeito, tem a obrigação de ajudar quem se sacrificou na pandemia.

Belo Horizonte é conhecida mundialmente como capital dos bares e também recebe grandes eventos. Como será a retomada destes setores?
Para a cultura já fizemos os editais da Belotur e está vindo dinheiro federal para o setor, em vistas de ajudar este pessoal que também está sendo muito sacrificado. Além disso, eles e todos os setores estão incluídos no rol de discussões e colaborações para os protocolos. Já me sentei com mais de 20 associações da cidade, sempre em busca de soluções para o período pós-pandemia. É importante estar com todos na mesa.

Muitas empresas fecharam as portas nos últimos meses em função das restrições de funcionamento. Os empresários culpam a Prefeitura e o senhor. O que dizer a eles?
A culpa não é do prefeito não, é do vírus. Mas eu peço desculpas. Eu tentei não levar gente para o caixão. Essa foi a tentativa. Nós copiamos o mundo. Governar não é agradar. Governar é governar. O que eu tenho para dizer a quem me culpa é isso. O vírus é que está matando gente e o Brasil já alcançou 105 mil mortes. São 105 mil famílias que enterraram entes queridos por, talvez, não obedecerem a critérios que foram seguidos no mundo inteiro.

Em algumas entrevistas, quando questionado sobre a atenção à economia, o senhor disse que primeiro cuidaria da saúde. Quando virão as medidas econômicas e quais serão?
Isso vai passar. Como toda pandemia, vai passar. Quando? Eu não sei. Nós já estamos abrindo o comércio. Estamos começando a cuidar devagarinho. Mas em 2021 teremos que dar uma ajuda robusta a este empresário. Ainda estamos estudando como será. Um grupo formado pelas secretarias de Planejamento e Fazenda estruturará um plano para ser apresentado quando a pandemia caminhar para o fim. Enquanto isso, já ampliamos o prazo do pagamento do IPTU até para quem está aberto. Temos que ter a consciência que teremos responsabilidade com todos aqueles que se sacrificaram nesta pandemia. Mas precisamos lembrar que todo mundo saiu prejudicado. Ninguém se deu bem. A culpa é do prefeito? Não, é do vírus. Mas não tem problema colocar a culpa no prefeito também não. Se tem uma coisa que estou acostumado é de jogarem a culpa nas minhas costas. Não me incomoda. O que me incomoda é enterrar gente por irresponsabilidade.

Qual é o impacto na arrecadação do município?
O impacto para a Prefeitura será de quase R$ 1 bilhão; R$ 940 milhões no total.

O Ministério Público questionou a flexibilização do comércio na cidade. O senhor cogita aderir ao programa Minas Consciente?
Não vou aderir, porque estou seguindo uma linha desde março. Estou apanhando desde março. O prefeito é o culpado desde março. E agora que os números estão baixando, porque seguimos uma linha, alguém vai me dar conselho? Eu tenho dez dias e irei apresentar os números de Belo Horizonte. Se a Justiça mandar fechar, eu fecho, sem problema algum. Eu obedeço. É que a Justiça ordena aderir ao plano estadual ou fechar. Aderindo, eu terei que fechar, automaticamente. Então, eu vou continuar na toada de Belo Horizonte. Eu não preciso de protocolo, eu preciso de dinheiro.

O assunto da volta às aulas foi polêmica na última semana. Empresários e gestores da educação privada reclamam do impacto econômico.
Na minha opinião, escola só volta no ano que vem. Se os médicos falarem que pode abrir antes, eu abro. Mas, na minha opinião, só no ano que vem. A esse pessoal eu digo que a Secretaria de Educação também está trabalhando em um plano de retomada, que incluiu a fusão de dois anos em um só e será proposto tanto para a rede pública quanto para a privada, como forma de amenizar as perdas.

Pensando no futuro. Belo Horizonte ainda comporta grandes investimentos do setor industrial?
É necessário pensar no desenvolvimento da cidade por outros caminhos. Belo Horizonte é sitiada por outros municípios e não há lugar para grandes plantas industriais. Por isso, temos incentivado outros segmentos. Oferecemos descontos para as startups, incentivamos a economia criativa, por meio da instalação do P7 Criativo. Mas Belo Horizonte é uma cidade pujante, que tem liquidez e está enxuta. A cidade virou o ano com dinheiro em caixa e, por este motivo, conseguiu enfrentar a maior tempestade de sua história sozinha, sem a ajuda de ninguém. E agora atravessa essa pandemia também apenas com ajuda do governo federal. Nós temos uma grande cidade. O que precisamos é melhorar o atendimento à população.

Por falar em startups existe algum plano de incentivo para o segmento?
Oferecemos desconto no Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para as novas empresas do setor ou para aquelas que buscaram a expansão das atividades no município e podemos fomentá-las ainda mais. Mas não tenho detalhes dos projetos. Apenas ordenei que a secretaria competente ajudasse este setor, por entender o potencial, desde o San Pedro Valley (SPV) até as instaladas na avenida Afonso Pena.

Quanto às chuvas, quando e quanto será investido nas avenidas Tereza Cristina e Vilarinho?
Nós ainda estamos começando. Projeto demora e estamos no combate de um problema de 40 anos da cidade. Já iniciamos a fase 1 da Vilarinho, temos o dinheiro em caixa e vamos continuar avançando. Mas com calma, pois não adianta e não pode ser feito de qualquer maneira. Eu não vou fazer de qualquer jeito. Passaram dezenas de prefeitos e simplesmente deixaram acontecer e nós não estamos deixando. Estamos trabalhando. Na última chuva que atingiu a avenida Tereza Cristina não morreu ninguém afogado. Naquela tempestade daquela fatídica terça-feira foram casas que caíram e, assim mesmo, de gente que havia sido retirada e voltou. O afogamento em Belo Horizonte é que tem que acabar. Fechar vias com planejamento e estrutura, como fizemos.

As eleições estão se aproximando. Qual o balanço do atual mandato?
Eu tenho dito que palavras não resolvem eleição, o dedo do povo sim. Mas não estou com cabeça para isso. Enquanto eu estiver tomando remédio para dormir por causa desta tragédia que se abateu sobre Belo Horizonte, eu sinceramente não terei cabeça. Mas na hora da eleição eu vou lutar. E eu sei lutar. Levo a eleição a qualquer nível, do muito alto ao mais baixo se quiserem. Mas agora eu não tenho cabeça. Esse assunto, hoje, não me interessa.

É possível vislumbrar um mote para a reeleição?
Não tenho cabeça para eleição. Esse assunto não é prioridade.

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